SERRA DA ESTRELA
SERRA DA ESTRELA



VALES GLACIARES
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Poço do Inferno
Vamos à serra!...
Já por ali tinha passado, algumas vezes, e tenho horror ao "déjà vu".

Contudo, a repetišão ganha em profundidade da observašão aquilo que perde em novidade na emošão.

Pela primeira vez me interrogo, agora liberto do fascínio da novidade da observašão, acerca dos fenómenos geológicos ocorridos para esta formašão.

Um macišo vulcânico rodeado de vales glaciares em todos os azimutes desafia a imaginašão do leigo acerca da localizašão da cratera, que lhe deu origem, eventualmente destruída pelas glaciašões posteriores.

Iniciamos o percurso pelo vale glaciar de Manteigas. Esta cidade situa-se no lugar onde, eventualmente, os gelos permanentes terminavam pois é a partir daqui que encontramos, no sentido jusante, os primeiros solos sedimentares e aluviais. A montante tudo dá mostras de erosão, a comešar pela cascata da "Pošo do Inferno" onde essa actividade é mais que evidente.

Viajamos nos contrafortes do vale onde os caprichos da geomorfologia fazem serpentear a pista por entre pinhais e rochas arredondadas, modeladas pela erosão eólica ao longo dos milénios, apresentando formas curiosas, algumas semelhantes a modelašão por mão humana.
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Capéu Mexicano


Do outro lado, o macišo central, com as suas escarpas e os seus blocos de gelo expostos ao sol da manhã, espreitam-nos. Nas suas faldas alguns regatos, ainda alimentados pelos gelos fundentes, desenham cataratas dignas dum mundo dos pequeninos...

O ponto montante deste vale glaciar situa-se na Nave de S António, que por seu lado é ponto montante para o Vale Glaciar em sentido oposto, o vale glaciar de Alfolfa.

Seria aqui a cratera inicial? Pode ser.
Este vale estende-se a sudoeste até ao vale do Zêzere que nasce exactamente no vale anterior, contorna a zona montanhosa a leste e dirige-se para o vale do Tejo em Constância.

A descida na vertente leste deste vale oferece perspectivas majestosas sobre Unhais da Serra, situada ainda em zona de gelos ancestrais, e de outras povoašões do vale do Zêzere, bem como sobre a Gardunha, a sul, e a longínqua serra do Ašor a sudoeste...

Depois de Unhais subimos a vertente até ao vértice da montanha com vistas esplendorosas para ambos os lados e para a rectaguarda. Na vertente seguinte avistamos Alvoco da Serra no fundo vale numa miragem de conto dos irmãos Grimm. Parece tirada dum livro de contos de fadas mesmo durante o dia. Imagino a sensašão nocturna envolta em mistérios e superstišões.

A meio, pausa para o pic nick. é sempre o momento da confraternizašão. Cada um exibe como pode os seus dotes numa saudável competišão!
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Almoço
As vedetas são, em geral, as bebidas... mas os queijos, os presuntos, os chourišos não deixam os seus créditos por mãos alheias.

Depois, o resto da descida até Alvoco num vale adjacente a outro vale glaciar, o da Loriga que desce a sudoeste do macišo central. Na véspera, no levantamento do percurso, descobrimos, para além das belezas naturais de que se reveste, duas preciosidades gastronómicas: um medronho artesanal com um aroma que lhe confere caracterizas únicas; e um requeijão com doce de abóbora com sabor a terra, natural, genuíno daqueles que só quem é da terra sabe distinguir.

Este é o menos transitável dos vales radiais nascidos no maciço central, por falta de acessos mesmo a veículos 4x4. Atravessamo-lo aqui onde as características abruptas da geomorlogia foram bem aproveitadas para beneficiar esta cidade interior.
Do alto, avistamo-lo,ao entardecer, a caminho do mais pequeno e mais espectacular deste legado natural: o vale glaciar do Covão Grande.

Aqui está, em miniatura, comparado com as estruturas das grandes montanhas mundiais, toda rudeza da natureza na sua saga cega de modelação de formas pelos elementos. As formações rochosas de paredes verticais aglomeram-se em andares diversos nelas escorrendo mini cascatas que alimentam a atracção artificial chamada Lagoa Comprida. Na verdade não se trata duma lagoa mas sim duma albufeira produzida pela interrupção articial do curso de água.
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Vale Glacier Covão Grande
Mas a parte verdadeiramente interessante não está ao alcance do turista comum. O acesso é difícil, mesmo para veículos 4x4, mas é dali a montante do nível das águas da albufeira que a verdadeira maravilha se revela.

Para se obter o melhor desta experiência deve fazer-se na época seca para ter acesso a um anfiteatro natural rupestre e passar a noite ali escutando a alma da natureza que incessantemente nos lembra da nossa pequenez!

Depois... depois é a saga desta vida pequenina, desgastante e ilusória que nos leva a fazer coisas de que teríamos vergonha se nos sobrasse o tempo e a inteligência para isso!... até outra oportunidade de fuga a esta triste realidade!




Penso que a chamada Cova da Beira tenha sido num passado longínquo um grande lago. Quando o nível das águas atingiu certa cota encontrou um ponto de fuga que cavou até ao seu esvaziamento total. O remanescente dessa actividade é hoje a corrente do Zêzere que separa a Estrela da Gardunha.

Descemos as faldas da serra. Nos contrafortes existem belezas naturais que justificam visita para além das belíssimas vistas sobre o maciço central à distância.
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Panarâmica sobre a Estrela


E também remanescentes de actividade humana, hoje relíquias dum passado destrutivo que volta aos sonhos de alguns e ao pesadelo de muitos!
As minas desactivadas de Argemela são disso um exemplo vivo. Por enquanto são ponto de atracção duns poucos de aficionados destas coisas raras mas representam uma fase das mais tenebrosas do chamado desenvolvimento humano ainda não extirpado das práticas sociais e em franco ressurgimento.
O trabalho das minas é uma dupla crueldade: contra as pessoas e contra a própria natureza.
Leva ao extremo as consequências do "roubo original" e defrauda a natureza das suas entranhas estratificadas e acumuladas ao longo dos milénios para seu equilíbrio interno e cujas consequências no futuro ninguém sabe calcular... mas pior que tudo isso é que nem têm acesso mental a esse tipo de problema.
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Mina da Aegemela


Dali atravessamos o vale do Zêzere com as cerejeiras em flor. Passamos por algumas aldeias características desta zona e rumamos à encosta da Gardunha onde nos espera um desafio de perícia que nem todos aceitam!... (poucos mesmo!...).
Seguimos a cumeada por alguns quilómetros com vistas deslumbrantes quer à esquerda sobre Alpedrinha, logo ali na encosta de serra, bem como Monsanto lá longe ou Castelo Branco apenas imaginado na penumbra...; á direita toda a majestade da Estrela do lado de lá do vale.

Serpenteando, descemos a Castelo Novo. Ao lado de Alpedrinha, a Oeste, é bem menos frequentado e mais tranquilo que aquela. Mas as suas casas e monumentos graníticos, de onde a cal e o cimento parecem ainda largamente arredados, dão-lhe o ar inusitado e solene de outros tempos.

A todos os que participaram... um grande agradecimento pela companhia.

Lx. 1/8/2013

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