VIAGENS NA MINHA TERRA
VIAGENS NA MINHA TERRA



RAIA
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Portas de Marvão
Não sou Garrett com dois nem com um "t" mas também viajo na minha terra!
Fui como de "maravilha em maravilha" não "até ao Vale do Jamor recurvando-se pela direita para Carnaxide" mas Alentejo adentro virando pela esquerda até Marvão que estava de uma beleza que "verdadeiramente fascinava".

À noite, as ruas desertas dum burgo medieval despertam fantasmas antigos armazenados nas nossas memórias ancestrais que só vêem a luz do dia nos sonhos, nos pesadelos ou a esta hora tardia!... como "zombies" que perpassam sobre a realidade actual. Imaginamo-los... andrajosos uns, leprosos outros, mendigando um pouco de reconhecimento aos olhos indiferentes dos garbosos fidalgos que passam indiferentes tilintando as espadas nas armaduras, símbolo do seu poder e medida da sua indiferença.
Hoje, esses fidalgos armam-se de maneira diferente e os leprosos escondem a sua condição... mas uns e outros continuam a existir numa sociedade errada que começou mal, há milénios, e ainda não teve a força, a coragem ou a inteligência e dignidade para mudar de paradigma.
Já aparecem por aí uns opinadores a falar de "mudança de paradigma". Acham até que o paradigma está mudando... embora nem saibam bem o que essa expressão significa.
De facto o paradigma sempre esteve mudando, internamente, para manter-se e não ser substituído. Veja-se a igreja católica, a instituição mais antiga desta civilização, cujo segredo consiste em resistir sempre à mudança até ao momento decisivo em que ou dá o passo em frente ou se extingue.
Hoje essa instituição convive com tudo aquilo que já condenou, em nome do qual matou, e goza de um prestígio acima das instituições ditas seculares...
Como é frágil a memória e a inteligência dos povos!... transformaram uma gravidez mal explicada, num tempo em que isso era inaceitável, num acto divino, promoveram a deuses os seus protagonistas, inventaram uns outros tantos numa historia cheia de hiatos e incongruências, encheram a cabeça das pessoas de fantasmas... e depois é só explorá-los. O medo, a insegurança, o desconhecimento acerca do futuro faz o resto.
Quem está preparado para mergulhar no vazio, no nada, no zero absoluto? É este o espaço que os charlatães e os mistificadores de toda a espécie, exploram.
A mudança de paradigma (e não dentro do paradigma) situa-se aqui: a generalidade das pessoas evoluir mentalmente o suficiente para não deixar enganar-se!...

Quando viajo na minha terra viajo em todas as terras. Por todo o lado o paradigma é o mesmo: alguns tentando enganar os outros numa sociedade errada que se estruturou com base no roubo, arranjou formas complexas de justificar esse roubo, convenceu os descendentes dos roubados que a posse de bens era uma ordem divina emanada de deuses que eles próprios criaram para seu proveito.
Só que a coisa complicou-se. Os candidatos à herança e beneplácito divinos multiplicaram-se e passaram a roubar-se uns aos outros arregimentando os seus próprios explorados nessas lutas.
São estes fidalgos garbosos, sem alma, opulentos e cruéis que eu vejo aqui nestas ruas desertas na noite de Marvão. Eles batem às portas em busca de varões válidos para a sua próxima campanha de rapina. E vejo também as suas réplicas actuais porque o paradigma não mudou!...

Vejo-os nos recrutamentos militares em nome duma pátria que não é sua!... mas vejo-os também em todas as formas de arregimentamento... das igrejas aos partidos políticos... e particularmente nos sucessores da velha escravatura tradicional cujos barões, condes, duques e fidalgos se designam, de acordo com a nomenclatura do colonialismo moderno, de CEO´s e uma caterva de derivações subalternas de vários "flavors of managers".

Vejo-os por todo lado com uma cabeça programada para obedecer ao dono, acéfalos e embriagados adulando, intrigando, aspirando ser aquilo que nunca serão.
É espectáculo pungente num animal, em que pelo menos alguns exemplares desenvolveram capacidades capazes de superar essa debilidade.

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Marvão à Noite
Todo este ruído está ali contido no silêncio da noite, disponível a quem sintonize os seus sensores para ouvi-lo. Será a isto que alguém já chamou de inconsciente colectivo?... será esse o drama da humanidade?... esquecer demasiado depressa?... ou recordar sob a forma de fantasia!...

Do alto a vista para norte espraia-se para além do Tejo e quase imaginamos visualizar Monsanto, outro morro imponente cheio de história trágica mas fora do alcance visual.
Seguimos estradas antigas e caminhos junto à raia onde o tempo parece ter tido outro andamento e bizarramente abastardou o velho com o que o novo tem de pior!




Após Vila Velha de Ródão, que de velha só tem o nome!... (faz-me lembrar aquelas outras velhas, e não só!..., que mascaram a passagem do tempo com uma pintura "kitsch"... rsrs.), seguimos o curso do Tejo na esperança vã de encontrar um ponto que correspondesse ao nosso imaginário de "Tejo Internacional"!...

Já tinha sido suspeito nesta zona, do outro lado da fronteira, mas barrado em plena via pública foi a primeira vez!... e logo no país em que, as regras sociais torpes, dizem também ser meu!...
Aqui, como em muitos lugares neste país em franco retrocesso, o que já foi público um dia por força dum direito não escrito - por isso designado de consuetudinário, do latim "consuetudo", (veja-se a semelhança com consentido!) deixou de o ser. Os caminhos terminam em portões com a designação arrogante de privado e conduzem assim a nenhures... ou então a lugares onde somos avisados de estar em propriedade privada, sem que nada o indicasse até ali... e propriedade de quem?!... adivinhem!... de nomes bem sonantes da política, da finança ou de ambas!...
E assim o Tejo, dito internacional, é apenas não internacional, não nacional e, tão só, privado!...


Mesmo assim ainda avistámos os famosos grifos, longe, bem longe da teleobjectiva para obter uma foto decente!...

O objectivo era seguir a fronteira tanto quanto possível, por estradas remotas ou caminhos desde que não intransponíveis nesta fase do outono. O almoço no parque, agora deserto, junto ao abandonado posto fronteiriço de Segura, fez lembrar tempos em que estes lugares estavam repletos de vida, desejos de aventura e sedução pelo outro lado!

Monfortinho fica á direita mais acima no périplo. O tempo está desagradável. Rumo a Peraboa, casinha ancestral, de aldeia, do Vítor, onde uma lareira rapidamente acesa traz o conforto de fidalgos do passado, sem escravizar ninguém!... o resto... o petisco bem confeccionado (como só ele sabe fazer!)... e bem regado!... fazem dum momento banal, uma vivência única na vida!...




As aldeias tradicionais e bem preservadas da Beira interior ficam todas ali "à mão de semear": Monsanto, Idanha, Sortelha, Penha Garcia e tantas outras que têm resistido, por milagre, à delapidação pelo mau gosto. Seguimos via Sabugal a caminho da raia. As aldeias, de um país ainda ignorado, sucedem-se, como se sucedem os rebanhos, com que temos de partilhar as estradas e ruas dos povoados, pacifica e despreocupadamente ocupando a via sem pressas nem preocupações de segurança. Parecem querer dizer-nos: "aqui vivemos assim" sem preocupações de certo ou errado.

Passamos Vilar Formoso, a metrópole do tempo do isolacionismo e lugar de todas as esperanças expansionistas que existem nas almas inconformadas de alguns portugueses. Aqueles mastodontes sobranceiros e ameaç:adores, hoje vazios, não passam de candidatos a ruínas... a gente passa e interroga-se: "para quê tudo isto?"... mesmo aqueles que a viram em actividade!
Sem qualquer função constrangedora (pelo menos por enquanto!) passamos por eles. O absurdo de tudo isto é que ainda marcam uma diferença!... com consequências marcantes para as populações vizinhas: a leste o gasóleo (e não só) é mais barato que a oeste!...
E assim cohabitam lado a lado estabelecimentos que vendem o mesmo produto com uma diferença relativa de preço!... e chamam a isto liberdade de circulação e comércio!.
Circulação talvez... comércio!... duvido. Quem compra mais caro tendo mais barato a poucos metros de distância?
Só uma sociedade errada é insensível a tão grosseira contradição, na lógica, e a tão rude agressã na matéria.

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Almeida
Depósito cheio... Almeida no azimute!... outro lugar do nosso orgulho!... COMO...?. Orgulho de quem?... de fidalgos e poderosos duma sociedade que perpetua sob a forma de valores com que programa as cabeças dos seus cidadãos para aceitarem como certo numa ordem errada, um sentimento ilusório de posse.
Este mecanismo de programação mental é tão poderoso que os pobres dos países mais ricos se sentem superiores aos ricos dos países pobres!

A ocupação humana deste território perde-se, como em tantos outros, na memória dos homens. O que se conhece, controverso como em toda a história, são as façanhas dos vários tipos de ladrões que o disputaram. Estas são as descrições das lutas entre ladrões. As verdadeiras vítimas são sempre as mesmas:os povos autóctones sem hipóteses de fuga.

Se toda esta história eivada de atrocidades, carnificinas, crueldade, egoísmo, vaidade, orgulho besta e falta de dignidade humana ainda servisse de alguma coisa para arrepiarmos caminho e realizar as nossas verdadeiras potencialidades sempre relegadas para o campo das aspirações, pelo menos duns poucos, ainda valia a pena lembrá-las!. Mas como motivo de orgulho... é uma verdadeira fatalidade mental, cultural, primária e psicótica. Uma herança pesada... tão pesada como aquela que aí deixamos, por milhares de anos, sob a forma de dejectos de toda a espécie e de que, como membro desta geração me envergonho de deixar. Herdámos uma pesada carga mental de que não conseguimos livrar-nos... deixamo-la mais pesada ainda... e uma natureza insalubre.

Se houvesse um deus criador, como a maioria ainda imagina, para que criaria um ser com tantas possibilidades e lhe retiraria todas as hipóteses de realizá-las?... a menos que ele próprio fosse o exemplo da crueldade e nesse caso não seria aquilo que os crentes julgam ser.

Almeida é um dos muitos palcos dessa tragédia imensa em que se transformou a vida humana depois desse "roubo original". Comparada com Tóia, onde parece terem existido muitas tróias e não apenas a da trágica descrição da Elíada, Almeida é um tragédia pequena. Será?!... Qual o tamanho duma tragédia? Tem a ver com a quantidade de mortos ou estropiados num conflito que um qualquer mentecapto desencadeia... ou com a quantidade de horror que uma alma pura consegue suportar?

Os gregos antigos acreditavam que a tragédia tinha como função a catarse da alma humana. Eles acreditavam que vivendo o horror as pessoas se tornavam melhores e que iam evitá-lo na vida real livres dos fantasmas do passado.
Foi talvez a primeira e única tentativa falhada de inverter o paradigma. O crescimento mental, com os seus erros também, feito nesse período não tem paralelo na história desta civilização.
O aparecimento de ladrões mais aguerridos e numerosos vindos de outras paragens pôs fim ao período mais brilhante da civilização ocidental em termos de aperfeiçoamento mental.

Eles sistematizaram a forma como ainda hoje pensamos. Definiram categorias mentais, alargaram os limites do pensável e deram-lhes nomes. As palavras exprimiam conceitos sistematizados ou recém criados.
Uma civilização inferior apodera-se das palavras mas sem acesso mental ao conceito, deixa-as vazias, armas de arremesso que servem para tudo e não se comprometem com nada!...

Desde então, o empobrecimento mental não parou de crescer e a cultura moderna parece uma gigantesca "loja dos 300": muita tralha... de pouco valor!...

Com a actual onda de superficialização e nivelamento mental por baixo, não acredito na reabilitação desta civilização. Ela continuará nas mãos de psicopatas sem escrúpulos até à derrocada final. Que não me parece longe embora eu não saiba quando...

Esses sinais abundam por aí. Na minha já longa vida assisti a uma transformação maior do que toda a sofrida até então por esta civilização.

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Almeida
Há 200 anos um visionário inglês teve uma intuição certa, embora com a interpretação e solução erradas, acerca deste fenómeno. Thomas Malthus previu um momento em que o aumento da população ultrapassaria a capacidade de produção de alimentos mas descreveu isto como resultado da preguiça e imperfeição humanas. As suas soluções para o problema são tão absurdas como a descrição que dele faz. Mas tem o mérito de ser a única voz isolada que previu, com 200 anos de avanço, um perigo real num plano mental que nada tem em comum com as profecias e charlatanices acerca do fim do mundo. O seu pensamento é racional introduzindo apenas algumas premissas erradas. Mas erradas por desconhecimento. Erradas por programação mental de casta. Não com intenção. Se assim fosse o seu pensamento seria sofismado e ele não passaria de mais um charlatão!

Há 70 anos atrás havia fome, havia miséria... óhh!... se havia!... mas essa fome e miséria resultava não da incapacidade da terra ou dos homens de produzir alimentos suficientes mas sim desse roubo ancestral em que alguns se apropriaram do que era de todos, organizaram-se para defendê-lo, legislaram para justificá-lo e dominaram os espoliados com base na escassez.

Havia fome por erro social mas sobravam ainda recursos de produção. Já se começava a consumir o passado mas acreditava-se então que esses recursos eram inesgotáveis. Mas ainda não se tinha começado a consumir o futuro!...

Hoje consome-se com a mesma avidez passado e futuro, acefalamente, sem a mínima noção do abismo para onde nos precipitamos numa correria louca de alienados inconscientes!

Ao longo destas sete décadas assisti como "alienígena" aos desmandos duma sociedade que nunca entendi, a que nunca me adaptei e na qual me sinto um estranho.

Desapareceram os caminhos antigos cavados pela erosão milenar onde habitavam, segundo as crenças populares, as bruxas nas encruzilhadas, os lobisomens nas matas mas também as fadas, os duendes e toda uma panóplia de seres fantásticos zoomórficos; desapareceram os riachos, rios e regatos de águas límpidas e cristalinas transparentes de onde se podia beber;desapareceram as canções e récitas populares (cégadas) verdadeiros incentivos de criatividade da qual ainda sobram, um pouco estereotipadas, algumas versões urbanizadas sob a forma de canções infantis; desapareceram os valores locais colonizados pelos preconceitos urbanos substituídos, primeiro, pela superioridade tecnológica da rádio e esmagados depois pela televisão!

Sabe-se hoje que estes meios, que tanto poderiam beneficiar o desenvolvimento da humanidade, nas mãos dos herdeiros desse roubo original, apenas reforçam esse erro e são poderosos na prática de programação mental para a subserviência e promovem um nivelamento por baixo transformando o mundo rural, onde existia uma certa forma de dignidade e decência, em versões desajustadas da devassidão urbana.

Os efeitos macro não passam da aplicação dos efeitos micro a uma escala maior. Os economistas, uma classe de lacaios programados para servir esta ordem errada, surgiram durante esta minha longa existência, ganharam poder e substituíram os políticos, outra casta dividida em clubes com os mesmos interesses mas com interessados diferentes que, por sua vez, havia destronado os militares, herdeiros dos sacerdotes sucessores naturais (castrados) do "macho dominante" nesta longa saga de rapina e opressão dos mais fracos... são hoje os magos que todos escutam.
Surgidos duma incubadora comum, todos defendem o mesmo divergindo, apenas (pouco), na forma como fazê-lo. Crescimento!... é a palavra mágica. Hoje quem disser crescimento é, não apenas um sábio!... é mágico!... e é aqui que a dupla micro/macro, pouco discutida, faz a sua diferença. Para eles o crescimento é macro. Não se ocupam de coisas menores. Micro é economia de dona de casa!

Se a dona de casa tem ou não comida para pôr na mesa... isso é problema dela. Desde que o estado tenha as contas em dia e a sua (grande) empresa faça lucros para pagar salário e bónus milionários ao seu CEO, dos quais sobrem umas migalhas caídas da sua lauta mesa!... tudo está certo.

O que esses pobres serventuários não sabem é que o seu modelo está esgotado. Se usassem a cabeça até podiam ter uma intuição disso... afinal nem é assim tão difícil de entender!... mas estão demasiado assoberbados com as gorduras que escorrem dos cantos da boca dos poderosos... eles próprios candidatos a essa posição!

Quando o "macho dominante" reservava para si o melhor bocado e as fêmeas mais saudáveis, cumpria um programa inscrito nos seus genes laboriosamente criado pela máquina da evolução: assegurar a sobrevivência da espécie pela selecção dos mais aptos. Mas estava também a criar um paradigma terrível para a espécie do qual esta nunca mais se libertou. Então!... esse comportamento era finalizado. Assegurar a sobrevivência da espécie era mais importante que assegurar a do indivíduo. Ainda hoje as mães selvagens comem primeiro que os filhos para assegurar o leite para amamentá-los exactamente porque estão programadas para isso.

Os animais humanos há muito que ultrapassaram essa barreira da sobrevivência da espécie pela selecção dos mais aptos e põem-na agora em causa pela selecção hereditária de inaptos, mas repetindo o mesmo paradigma de escassez que conduz à ganância ou sentimento de que nunca se tem o suficiente.

E o roubo ancestral continua justificado por uma data de sofismas que nem a primavera grega clássica conseguiu iluminar. A gloriosa história de "Armas e barões assinalados" é um retrocesso de 2000 anos ressuscitando um atraso que a evolução grega clássica já tinha ultrapassado.

Crescimento!... e ainda por cima infinito!... rsrsrs (só para rir de tanta ingenuidade|).

Na cultura de rapina em que a humanidade tem vivido essa ilusão alimentava-se primeiro, no nomadismo com mudança de lugar quando os recursos se esgotavam. Com o sedentarismo passou a alimentar-se de rapinas, razias e conquistas. O esgotamento dos recursos e a truculência das lutas nas zonas mais populosas levaram à chamada expansão ultramarina na qual os instintos mais baixos desta espécie foram postos à prova. O resultado foi o nascimento de ódios insanáveis e hoje, os explorados de ontem começam a reivindicar o seu quinhão naquilo que é seu (e não só!), pelo que a miragem do crescimento está ficando muito nebulosa!... só os economistas programados para obedecer ao dono não conseguem ver isso!
O crescimento quantitativo é a fórmula que assegura o roubo ancestral em tempos modernos. E implica o crescimento da população (a riqueza dum esclavagista mede-se pelo número de escravos que possui - hoje pessoas que comanda). O que envolve uma contradição a que sua curta inteligência não chega. O aumento infinito de população dá razão a Malthus!... mas envolve ainda outra com que eles nem sonham!
Na sua ganância de rapina (e vou ficar por aqui -por ora- porque este é um combate Bíblico que deixará os "Quatro Cavaleiros..." apeados) estes "cavalheiros" querem uma população infinita para comprar as bugigangas que os programam a consumir, donde resultam os lucros, ordenados e prémios insultantes que embolsam e os parcos impostos que alimentam os seus lacaios na burocracia controladora do estado... MAS... e este é um grande "MAS"... a ausência de limites da sua ganância, levou-os ao beco sem saída de não quererem mais essas mesmas pessoas nas empresas, para não lhes pagarem, substituindo-os por máquinas. E é esta massa humana superficializada, programada para consumir iPads, Ipods, iFodes, iModas, i... sem dinheiro, a mesma que faz milionários degenerados sem vergonha e que vai um dia encher os passeios nas cidades, as valetas nos campos de massa biológica rejeitada de difícil remoção!... Não acreditam!...
Vejam as declarações recentes, escondidas no meio da tralha "importante" da imprensa, feitas por um ministro das finanças japonês em que defende que se deixem morrer os velhos doentes para não sobrecarregar o sistema de saúde!
O limite de idade para se ser considerado velho varia com a cultura e nada impede que dentro em pouco abranja todos aqueles que o mercado rejeitou!

Com o fim do expansionismo territorial acabou o crescimento quantitativo que os economistas defendem e no qual assentam as políticas dos estados, essas organizações herdeiras do roubo ancestral. Mudar de paradigma significa reconhecer este erro e considerar a natureza, não como propriedade de todos, como já foi tentado, mas com mais humildade considerar que todos somos propriedade desta natureza.

Nesta natureza que conhecemos à superfície da terra tudo o que nasce, cresce e morre!...
Esta civilização nasceu, cresceu (de forma errada) e vai morrer. Morreria de qualquer jeito. Mas se não tivesse esgotado os recursos da terra gananciosamente poderia viver com ela, envelhecer com ela, transformar-se com ela, ao longo dos milhões de anos até ao seu arrefecimento final.

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Almeida
Ao longo dos meus últimos 70 anos assisti a uma transformação maior do aquela que se deu durante toda a sua história anterior. Até pouco antes a vida processava-se ao ritmo biológico. O caminho de ferro era ainda uma novidade e o motor de explosão um recém chegado. Os recursos energéticos ECONOMIZADOS, sublinho "poupados" pela natureza ao longo de milénios começavam agora a ser consumidos pela recém criada máquina a vapor e pelo ainda mais jovem motor de explosão!. A bomba atómica, que consumiria o futuro, ainda não passava de uma suspeita de Einstein mas o seu contributo, como alemão renegado, para o esgotamento do futuro é inestimável.
Não se sabe se a descoberta da fissura do átomo foi feita por ele sob suspeita de que os nazis estariam a trabalhar nesse projecto... ou se, como correm boatos, esses planos foram roubados por espiões americanos e trabalhados por ele. Num mundo estruturado sob o princípio do roubo ancestral tudo é possível desde que se apresente como a posição certa que é a dos vencedores!... hoje chama-se de branqueamento!... embora esse termo se tenha tornado intermutável... e branqueamento poder até significar tornar tudo muito negro!...




Almeida é uma das muitas "almeidas" com sabores, cores e aromas diferentes, mas todas vítimas da mesma tragédia, espalhadas por esse mundo fora.

Vemos as muralhas imponentes verdadeiros bastiões de defesa, as casas de armas, as casamatas à prova de bombas e ficamos orgulhosos do nosso (?) engenho e passado glorioso mas esquecemos o sacrifício daqueles que os construíram, que os habitaram sem um momento de lazer para saborear o simples facto de estar vivo e apreciar a natureza.

O rio Douro fica já ali. Nos meus tempos de menino, em que se aprendia mais do que agora em alguns cursos ditos superiores!... recordo uma linha de caminho de ferro que saía do Porto e passava por " ..., ..., Régua, Barca d'Alva e segue para a Espanha". Aquele "segue para a Espanha" era a parte sedutora da frase. Desafiava a minha imaginação com todas as coisas fantásticas ou simplesmente desconhecidas que poderiam estar do outro lado fora do meu alcance.
Hoje a linha é uma ruína do que foi no passado e a sedução da Espanha perdeu o seu brilho. Os passeios fluviais são hoje a fonte de animação dum lugar atraente que sem isso seria mais um lugar esquecido. Não sou fã do empreendedorismo que acabo de contestar... mas admiro quem dentro desta ordem, mesmo errada, tem a visão de transformar um lugar ermo numa zona de atracção! sem grande impacto no esgotamento de recursos. A ponte iluminada à noite é um espectáculo de invulgar beleza feérica!

"Este pão é de comer e berrar por mais!"... diz a vendedora ao Vítor no lugar de Ligares do outro lado do rio. Rimos. Conhecíamos a expressão noutra versão. Aqui chorar e berrar ainda pertencem ao mesmo sentimento básico. Pequenas nuances de grande significado a que nem sempre damos a devida atenção. O pão até nem era nada "do outro mundo" mas atesta o facto de que em Portugal ainda se "berra" por aquilo!

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Rio Douro
Deixamo-nos fascinar por uns trechos do vale do Douro antes de rumar a sul. E a caminho do sul lembrei-me duma fábula muito antiga que Hans Christians Andersen deturpou numa versão infantil para adultos "O Fato Novo do Imperador". Mas o mais curioso dessa história nem é adulteração de Andersen. São as análises, comentários, adaptações e interpretações ainda mais distorcidas e superficiais que se fizeram depois da "obra" de Andersen. Esta obra aparece associada a colecções das fábulas de Esopo e a um tempo em que o pensamento humano efectivamente cresceu.
Criada antes do advento dos computadores, ilustra bem como esta máquina poderosa que é o cérebro humano é programável. Todos os notáveis e cortesãos programados pela cultura servil viam o sumptuoso fato, fornecido pelos pretensos alfaiates, que vestia divinamente o rei! Só uma criança, que ainda não fora esmagada pela força da aculturação, não conseguiu ver fato nenhum!

De facto, esta máquina poderosa é-o, como todas as máquinas para o bem ou para o mal. Quem quiser saber um pouco mais sobre as suas traições, consulte Oliver Sachs, sobre os últimos desenvolvimentos acerca do seu funcionamento António Damásio.

Na verdade, a generalidade das pessoas, não vê o mundo real mas um mundo como lhes disseram para ver. Se isso atinge os extremos do absurdo no hipnotismo voluntariamente induzido, a generalidade vive em estádios intermédios de fascínio hipnótico permanente e nunca entra verdadeiramente em contacto com a realidade. Nesse estado vêem aquilo lhes dizem para ver, fazem aquilo que lhes dizem para fazer, acreditam no que lhes dizem para acreditar.

O último rei que eu vi "nu" foram as famosas "gravuras rupestres de Fozcoa"! Os mitos são a coisa mais intrigante e fascinante para minha compreensão do mundo. Que poderes estão na origem do código de programação que os torna viáveis e se implantam de forma firme no imaginário colectivo. É claro que falo dos mitos modernos!... os antigos tinham uma outra grandeza e função social a desempenhar.

O primeiro é um mito que invadiu o campo da ciência e nele se instalou confortavelmente ao lado de figuras respeitáveis como as leis científicas induzidas a partir de experimentação séria. Com base em que categoria lógica pode alguém afirmar, empanturrado de certeza, que um achado arqueológico tem 4... 7... 40 milhões de anos?!... se ninguém observou os índices de isótopos de carbono 14 na atmosfera nesses tempos?... e porque são comparados com os 1950 e não com os de hoje?... se o carbono 14 é assim tão estável ao longo de 60 milhões de anos, como é suposto, que diferença fazem 60 anos na data de comparação?...

Medir com carbono 14 fica, assim, semelhante a marcar um ponto num iceberg e medir a distância a este com um elástico... é melhor que nada!... mas não produz certezas e não é aplicável aos achados rupestres. Logo a datação destes produtos é assim uma espécie de trabalho de escanção!: "se ele diz que é bom!... quem sou para dizer que não presta!". É assim que se aplana a auto-confiança, se desiste do gosto e das convicções pessoais e se prepara o terreno para a programação mental. É assim que desistimos de nós próprios e aceitamos que outros pensem, sintam e decidam por nós! Só que eles decidem por nós... mas para eles!...

Passámos ao lado. Já tínhamos visitado o vale e as "famosas" gravuras. Mas lembro a decepção, então sofrida, em pleno auge da fama do famoso vale. Curioso... curioso, para mim, foi o processo de corte perfeito das superfícies expostas, perpendicular ao plano de estratificação da rocha por onde ela tem tendência a fraccionar-se, como que feito por máquina gigante moderna, sem as irregularidades que sempre se formam quando uma torção tectónica é aplicada perpendicularmente à superfície de clivagem. Aquelas superfícies pareciam-me demasiado apropriadas para alguém fazer ali uns riscos!... e, mais que uns riscos, para além das fissuras naturais, era difícil de descortinar!... o guia bem se esforçava com ajuda dum ponteiro lazer mostrar a beleza e perfeição daquela arte magistral dos nossos muito inteligentes ancestrais de há milhões!... e toda a gente via, admirava o sumptuoso fato do rei... e só eu continuava a vê-lo "nu".

Congratulo-me que esta mistificação tenha evitado mais uma destruição de património natural do qual sou defensor acérrimo. Nem sempre as mistificações vêm por mal... mas este é apenas um efeito colateral. Na sua essência são sempre uma cicatriz no processo de evolução mental... e no lugar duma cicatriz nada mais se desenvolve, é uma zona enquistada no cérebro das pessoas que não lhes serve para mais nada!... a isto a pseudo-ciência da psicologia tem chamado traumas... complexos, se o enquistamento não parecer muito denso e for mais ramificado!... rsrsrs.




As minhas memórias ancestrais dos resíduos de ladrão, que ainda existem em mim, às vezes traiem-me... e dou comigo a reviver cenas dum passado longínquo que pode habitar em qualquer lugar cujas características morfo-geológicas e arquitectónicas despertem os meus fantasmas enclausurados. Eles andam escondidos por aí, nos recessos do meu ADN, que os geneticistas ainda ignoram, à espera dum factor desencadeador para ver a luz do dia. São estas memórias que causam todo o tipo de confusão mental de que as pessoas mais débeis sofrem sem saberem quem lhes fala na sua cabeça, de onde vêm, o que querem e... sobretudo o poder que têm!... o que faz a fama e fortuna dos charlatães de todo tipo desde os bruxos, gurus, feiticeiros, xamãs... aos monges, padres e pastores (menos os da ovelhas reais!) para todos os gostos... terminando nos psicoterapeutas e psiquiatras. Dá para todos!... mas quem verdadeiramente aproveita são os outros: os ladrões (que nem sempre habitam nas mesmas pessoas).

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Marialva
Num desses momentos de mergulho no passado dou comigo a reviver sentimentos confusos de admiração, raiva e medo por coisas que racionalmente contesto. E é assim que, por momentos, me revejo num cenário apocalíptico com o castelo de Marialva envolvido numa nuvem negra como que a anunciar o futuro que o espera. Acabo de chegar duma razia e aquelas nuvens negras são um mau presságio de futuro risonho!... ou significam que, como escravo, vou passar a noite toda ao frio e à chuva depois de ter feito a prosperidade do meu dono?!...

Todos temos pedaços de ladrão, de vítima, de escravo e de senhor cá dentro. O drama de cada um é saber qual deles comanda e dá cor à personalidade. Em alguns comanda o Senhor, que tal como "Son Excelence Eugène Rougon" de Zola, não seriam nada sem escravos; noutros comanda um escravo permanente sempre à espreita de ser Senhor mas programado para não sê-lo, tal Spartacus com todas as legiões vencidas às portas de Roma se deixa crucificar por uma ordem moribunda pela qual fora programado a obedecer!...
Os visigodos, não aculturados (programados) por Roma não se ficaram por meias medidas!...




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Paisagem Outonal
A estrada da Beira estende-se por ali abaixo, qual avenida de centro urbano gigante, ladeada à esquerda pela majestosa Estrela iluminada pelo sol de fim de tarde, entrecortado de aguaceiros.
A noite surpreende-nos antes de alcançar Piódão, nosso próximo objectivo. E a chegada à aldeia causa uma verdadeira sensação de respeito!... porquê?
Apesar da fama adquirida em tempos recentes continua um lugar de paz e tranquilidade. Ouve-se a água a cair pelos ribeiros escarpados e pouco mais. Não há castelos, não há palácios... não há resquícios de truculência. Parece ser uma amostra ostensiva daquilo que a vida na terra deveria ser pelo menos aos olhos do visitante recente estranho às suas, "necessárias?", pequenas desavenças.
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Piódão à Noite
Das suas famosas casas de xisto já tudo foi dito. Exibem-se orgulhosamente sem necessidade de encobrir essa suposta vergonha com uma máscara reles de argamassa pintada, tais velhas acabadas de sair da oficina dum qualquer esteticista que ao torná-las ridículas, as convence de parecerem novas!
Piódão é uma Senhora que viu passar os anos mantendo a sua elegância natural sem se descaracterizar. À noite, aquele altar iluminado transporta-nos a outros mundos que apenas habitam a nossa imaginação!... são estes sentimentos que designamos de sublimes, momentos fugazes em que a alma humana esquece as suas raízes terrenas e se desprende, como chamas, da acha que as alimenta, na sua tentativa de alcançar o infinito!

Lisboa, Janeiro de 2013





Apostilha

A energia nuclear é uma extorsão física exercida sobre átomo em que ele é obrigado a ceder a energia que não daria em condições normais porque faz parte da sua "homeostase". Sem ela fica em desequilíbrio por milhares ou milhões de anos do qual procura compensar-se. É a esse processo de compensação, inevitável, que se chama radiação nuclear, que consiste em vibrações electromagnéticas de frequencias ultra elevadas em que os átomos, durante milhares de anos, procuram recuperar os electrões que lhe foram roubados, num instante, por força dum acto violento: a chamada fissura do átomo.
E são estas frequências que ao atravessar as massas biológicas as queimam, sem chama, calor ou dor, mas tão eficazmente quanto foram as condições que as provocaram.
À primeira vista até parece uma vingança da natureza servida em "prato frio"!... rsrsrs... mas não!... na natureza não há desígnio, não há vontade, não há sentimentos...
Há apenas uma tensão para o equilíbrio.

É a isso que eu chamo o débito sobre o futuro. Este é real, cruel e inalienável. Não tem resgates nem insolvências. Será pago até ao último centavo. Mas tem consigo uma certa promessa de justiça, tão querida das poucas almas generosas que têm existido: todos pagam em função das suas capacidades biológicas... enquanto que no outro débito, resultante do roubo social primordial e amplificado pelos economistas, a ordem de pagamento da factura é distorcida, baseada num metaroubo que continua amplificar-se.

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