TRÁS-OS-MONTES
TRÁS-OS-MONTES



Amendoeiras em Flor
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Amendoeiras na Paisagem
Diz-se que um príncipe árabe apaixonado por uma princesa nórdica mandou plantar Portugal de amendoeiras para ela matar as saudades da sua terra natal.

Lendas e mitos têm sempre um grão de verdade, na sua versão actual, que remonta ao acto primordial que lhes deu origem.

Desconhece-se a origem da amendoeira, se asiática ou norte africana mas, ao que parece, terá sido introduzida pelos árabes.
Quanto à princesa nórdica a sua existência é mais problemática já que os árabes foram travados em Poitiers na sua ascensão setentrional na primeira expansão hegemónica.
Vem por aí outra vez!... só que agora não é por invasão... é por infiltração!
Os chineses chegaram primeiro!... e os actuais colonizadores ainda não se renderam!...
Os autóctones não existem, são relíquias dum passado morto.Gostam de futebol, cerveja e chorar no colo da mãe, que matam de seguida, se ela não lhes der a felicidade com que sonham e não sabem conquistar por si próprios.

De qualquer forma o nosso árabe da lenda era um romântico. Não queria a sua princesa infeliz. É uma parábola bem intencionada e inútil, como todas as outras mas sempre arranca uma lagriminha a fracos que nem imaginam o que os espera ou aos seus descendentes próximos.



Por qualquer razão desconhecida, a maior concentração de amendoeira encontra-se a nordeste que não foi ocupado pela dominação árabe. Mas a lógica das lendas é tortuosa!...
E é uma concentração que já foi. Esperava ver concentrações de amendoeiras em extensão e cultivo como os arrozais nas lezírias do Tejo e do Sado, mas o que vi foram amendoeiras selvagens em terrenos abandonados. Extensões de amendoeiras a perder de vista como glaciares nórdicos que fizessem jus à lenda... nem com imaginação criativa consegui chegar lá!
Mas, mesmo assim, o que vi foi bonito. Aquelas árvores, teimosamente, florindo a resistir ao abandono a que foram votadas pelas pensões de miséria, que as estão a matar e aos seus donos, são prodígios da natureza! Elas resistem mais que eles. Eles irão um dia e elas continuarão, tristemente, florindo à espera de melhores dias.

Algumas, mais bafejadas pela sorte ainda estão assim cuidadas; parecem assim vistas pelos olhos de forasteiro.

Trás-os-Montes é terra de lendas e mistérios. Tal como a Bretanha evoca os Cavaleiros da Távola Redonda, Merlin e Morgana que simbolizam todas as interrogações que a alma humana tem relativamente ao desconhecido. aqui, Celtas e todas as suas divindades zoomórficas espreitam-nos por todos os lados. São as nossas memórias ancestrais, pedaços codificados de ADN, dispersos pela evolução e guardados no mais recôndito das nossas sequências intocadas que despertam aqui ao som do murmurar das águas, ainda límpidas, e dois raios de sol coados pela folhagem, quais factores desencadeadores de comportamentos há muito adormecidos em terreno fértil para despertar!
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Paisagem Rural
Caminhos antigos, veredas esquecidas, fontes de mergulho em lugares envoltos em mistério, são raridades que os locais ignoram e o visitante comum não vê, mergulham-nos em experiências que a modernidade dos grandes centros não permite.

Fontes de Onoro, a aldeia de nacionalidade mista, não me impressionou. Nada ali despertou as minhas memórias ancestrais. Apenas um casario velho, mal aproveitado, mal restaurado e a completa ausência de pessoas. Aqui, como em Montesinho, povoados ícones do ruralismo transmontano, ninguém a quem fazer uma pergunta, excepto nesta última, uma senhora que depois de nos fazer o relato de todas as suas maleitas, nos informou em bom vernáculo que se queríamos comer, na barragem, em construção mais a norte, nos "davam lá de comer"!.
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Fontes de Onoro


Almoçámos na cantina do estaleiro de obras, um contentor, da barragem. O termo "dar" em "tramontês" não é o mesmo que consta do dicionário mas também não esperávamos que fosse dado. Terem-nos servido, não pertencendo ao grupo, foi um acto de gentileza pouco comum em meios supostamente mais civilizados. A cantina de cozinha aberta, provisória, instalada num contentor, era de uma higiene irrepreensível a deixar a desejar a muitos restaurantes de luxo que não têm coragem de mostrar a cozinha aos clientes!.

Descemos Trás-os-Montes. As amendoeiras, poucas e mal cuidadas, ficaram a nordeste. Já não há princesas e árabes (por enquanto) para as apreciar.
Mesmo que os árabes regressem, um dia, as princesas nórdicas afundar-se-ão com a civilização europeia em curso substituída pelas migrações, por ora, "pacíficas" que a substituirão por completo...
E essa será a sorte da humanidade. Só um retrocesso acentuado lhe prolongará a existência porque a continuar como está cavará a sua própria sepultura a curto prazo!

Lxa 7/5/2015






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