ENTRE LENÇÓIS ENTRE LENÇÓIS
Pequenos, grandes e outros!...
| |||
VER NO GOOGLE
Entre lençóis é uma metáfora para exprimir aquilo que, a todos os títulos foi uma viagem excepcional!...O amarelinho lá esperava, em Fortaleza, para a azáfama de vaguear pela orla!... já por ali tinha passado mas a tentativa de realizar o sonho antigo de fazer aquelas praias, a noroeste de Fortaleza, de jeep, tinha falhado. E a viagem de excursão primeiro até Jeri, em 2002, e depois em jeep com condutor, não tinha realizado, nem de perto, esse sonho!...
Em Cumbuco, lugar onde o sonho nascera em 2000, pega-se a orla, já que, antes dali, dada a proximidade da cidade e os cursos de água, isso não é viável. Depois é o frenesim de ver a máquina deslizar livremente por extensões de areia a perder de vista entre dunas, lagoas, coqueiros e a omnipresente ondulação à direita!...
Os rios de pequeno porte desaguam na praia cavando o seu leito
na areia, na maré baixa, e a mais pequena desatenção pode representar o banho indesejado... o que aconteceu mesmo logo a seguir a Lagoinha!... valeu a pick_up que se encontrava ali por perto quando o buggy se afundava vertiginosamente como que apanhado em areias movediças!...
Mas logo a vertigem reaparece.. o espectáculo das velas de kite_surf nas lagoas deixadas, à direita, pela maré alta, animam, de quando em quando a paisagem..., depois, são as aldeias
remotas de pescadores, as praias ainda inexploradas pelo turismo de massas e as extensas zonas de areia a perder de vista... com uma ou outra passagem difícil, o que sempre põe algum condimento naquilo que poderia tornar-se, paradoxalmente!..., a monotonia da beleza!...
Ao almoço procura-se uma barraca de praia e um peixinho fresco, com algum cuidado, porque, mesmo ali, junto ao mar, raramente o é!... e depois é aproveitar ao máximo a maré baixa. Navegar na orla está mais
condicionado aos caprichos das ondas do que no próprio mar!...
E as povoações sucedem-se... algumas que nem constam do mapa são deliciosamente pitorescas!... Depois da queda no rio com a água que cobriu o motor, o buggy começou a experimentar dificuldades em sair das passagens difíceis... um cilindro, embora não completamente inactivo, respondia com dificuldades ao esforço... e o atascanço numa zona pedregosa e molhada quase junto à rebentação foi inevitável... Potência para sair dali, com três cilindros, não havia. e a maré subia!... e casas ou pessoas à vista... nem sonhar!... até que...., passados uns momentos, longos para quem espera, talvez nem tanto para o relógio, surge no horizonte, viajando no mesmo sentido, um jeep...
Era um Defender, comum nestas paragens, e o Daniel, um jeepeiro turístico, com quatro polacos lá dentro, não
hesitou nem um instante em dar "carona"... O buggy continuava soluçante mas lá acompanhava o Daniel que ia para Jericoacoara com os seus clientes. A encantadora Praia da Baleia ficava para trás e aproximávamo-nos de Icaraí, onde abandonámos a orla para passar na balsa um pouco mais terra adentro... do outro lado, numa zona pantanosa esperavam-nos uns charcos imensos e fundos cuja travessia só foi possível após exploração cuidada do Daniel, experiente nestas andanças... o buggy!... nem pensar em atravessar aquilo!... era fundo demais e com
lama que daria para cobrir as rodas da frente, mais pequenas... mas a velha corda sintética do Daniel...lá resolveu mais este problema... e o buggy agora navegou mesmo no sentido real do termo...
Algumas aldeias..., a passagem por Almofala, uma cidade que já esteve longos anos submersa por uma duna que cobria por completo o campanário da igreja e que, passados 40 anos, voltou à vida com a migração natural da duna!... A mesma sorte não teve Tatajuba, a norte de Jeri, cuja duna que a cobriu se instalou, consolidou e virou terra firme definitiva!... a Nova Tatajuba teve que crescer ao lado!...
A estrada agora!..., em construção, não oferece desvio para o trânsito e é partilhada com as máquinas de grande porte e camiões das obras que não param nem interrompem uma manobra para facilitar a passagem... e o terreno revolto, com sulcos da altura do buggy tem que ser muito bem negociado para não atascar ali... objectivo conseguido com alguma sorte!... O buggy continua desenvolvendo mal e o Daniel, Jericoacoara, carinhosamente designada por Jeri pelos seus muitos amantes de todo o mundo!... com relevo para os próprios nativos que são, infelizmente, cada vez menos, lá estava bela e sedutora como sempre!... Abrigada dos ventos alísios, Este pôr do sol virado para um mar que supostamente deveria ficar a leste.., confunde o meu giroscópio natural que me diz sempre que estou a ver o sol do lado contrário...rsrsrssssss. Calibrado no hemisfério norte a uma latitude supra tropical, onde funciona na perfeição, fica baralhado no hemisfério sul,
sobretudo a latitude baixa, onde, devido à inclinação do eixo e à amplitude da ecliptica, o sol pode aparecer de qualquer quadrante consoante o época do ano e a hora do dia!...
Recuperadas as mazelas do buggy e após uma semana de namoro... o romance continua mas à distância. Jeri fica... a saudade vai... passa-se entre a grande duna e o mar na maré baixa... a balsa de Guriú, uma zona de Mangue extinto, (talvez daí nome de Mangue Seco para um povoado vizinho!...) donde sobressaem, tanáticos, os
restos dessa teia de raízes, características do manguesal, mortas, como espectros de tantas vidas extintas.
Depois Tatajuba, sepultada sob a duna consolidada, a passagem complicada do braço de mar-pântano ramificado, que a separa da Nova Tatajuba e a orla até Camocim. Logo à saída, a trilha para a Duna do Funil e a Lagoa Torta. Camocim, vista da Ilha dos Amores, é um espanto!... É possível a navegação pela praia dali até Bitupitá... mas depois a larga baía, sem balsa, e a extensa zona alagada conjunta que a separa do Cajueiro e Barra Grande, lugar protegido para desova de tartarugas,
tornam a progressão inviável...
De Camurupim, na estrada para Parnaíba, vira-se à direita para Macapá, em frente à Barra Grande, na orla para Luís Correia. Neste troço encontramos de tudo.. desde os lugares remotos ao superpovoamento da época alta e fins de semana... esta é a zona balnear do Piauí...trata-se duma extensa zona de dunas que cortam o acesso ao mar a uns tantos ribeiros menores, formando um conjunto de lagoas, alternativa balnear à praia de
mar!... onde o caranguejo é o rei do petisco para os humanos... e estes, petisco apetecível para as piranhas que atacam com alguma frequência na Lagoa do Portinho. Não era suposto existirem ali!... mas alguém terá tido o "bom gosto" de colocá-las lá... sabe-se lá porquê?...
Parnaíba é a porta de entrada do Piauí mas também do Delta do mesmo nome!... Atravessar esta zona única numa chalana, de canal em canal, de ilha em ilha, já não é possível hoje!... e foi uma das coisas mais maravilhosas que já fiz há uns anos atrás!!!...
Por falta de manutenção, diz-se, a velha e encantadora chalana, fez rombo no fundo e foi aposentada, sem substituta... agora só as excursões bacocas e caras!... nos podem dar um cheirinho do que era o encanto de vaguear por ali um dia inteiro a baixo custo!...
Mesmo que houvesse chalana, o buggy não poderia viajar nela... resta-nos a longa estrada contornando o delta, completamente intransitável do lado do Maranhão, até Tutóia. Esta continua igual a si própria!... paradinha no tempo!... A navegação pela praia mostra-nos a zona mais remota, despovoada e solitária de toda esta orla!... para além do Paulino Neves atinge-se por uma pista com largos trechos de areia alta e algumas pontes rudimentares... a própria ponte, no centro, sobre o Rio Novo, parece mais um desafio à gravidade do que uma utilidade viária!... Paulino Neves é lugar de passagem. Para Barreirinhas ou Caburé, portas dos Lençóis Maranhenses.
A pista para Barreirinhas, estreita, no meio do mato com sulcos muito cavados, na areia, pelos jeeps e tractores, não é viável para o buggy... embora fosse a única maneira de levá-lo mais além...Ir pelo Caburé... significa o fim da linha para ele... mas entre ficar aqui e o Caburé, não há que duvidar... rumo ao Caburé atravessando as dunas dos Pequenos Lençóis até chegar à praia... dali, já com a subida da maré avançada, foi acelerar para entrar triunfalmente na pousada do Paturi!... porque parar antes significava atolanço!... e esforço físico debaixo dum sol de brasas já muito perto do equador!...
O Jorge Caver, irmão do Paturi, recebe-me triunfalmente!... não é todos os dias que aparece alguémcom coragem para chegar ali de buggy!... e ainda por cima... um portuga!... Ex fuzileiro, "bom vivant", sabido e com certo ar truculento (não fora ele fuzileiro!..) é o tipo com quem simpatiza ou antipatiza logo à primeira vista!.. mas, como eu gosto de quem gosta de mim!..., gostei dele... até porque são raros os exemplares humanos com quem se pode bater um papo sem reservas. sem receio de que o outro, de repente, viole as regras!... e este é um jogador nato!... joga duro!.. mas aguenta a parada!...
Esta língua de areia entre o mar e o último troço do Rio Preguiça, com quatro ou cinco pousadas é local de peregrinação para os turistas que de Barreirinhas descem o rio para desfrutar das belezas indescritíveis que isso representa... fora disso não tem mais nada. Ali perto, do outro lado do rio, o farol de Mandacaru é a atracção maior!...O buggy chegou ao fim da linha. Do outro lado, em Atins, uma pista conduz a Barreirinhas mas não há como passar o buggy para lá, nem o estado da pista é conhecido como próprio para um
próprio para um carro fora do seu habitat natural... Aqui reinam as velhas Toyotas Bandeirantes com um desempenho em areia de fazer inveja a qualquer jeep!...
Subida (horizontal!... por isso se chama preguiça!... porque não há desnível visível) do rio até Barreirinhas. O objectivo é descobrir as possibilidades de fazer a travessia dos Lençóis se possível sem condutor!... Mas Barreirinhas, depois da cosntrução do estradão já não é aquele lugar remoto onde só chega o entusiasta!... hoje é um local cosmetizado, virado para o turismo de rebanho, com todos os inconvenientes que isso acarreta para quem ama a diferença!... genuína e autêntica!...
Os passeios já não são personalizados e sim pacotes, tipo "fast-food", vendidos ao preço de carne do lombo!... O IBAMA, dada a afluência de visitantes, para tentar evitar a degradação natural do lugar, tornou-se mais estrito e só autoriza passeios na orla dos Lençóis e a duas lagoas ali próximo!... o velho sonho de atravessá-los fica gravemente comprometido!... mas... o caçador de raridades tem ouvido selectivo!...
"... Santo Amaro é muito interessante!..." Este bocado de frase, ouvido não se sabe bem onde, levou à descoberta dum povoado a noroeste de Barreirinhas quase no outro extremo dos Lençóis. Atinge-se por uma trilha um pouco depois do povoado de Sangue no "estradão", (MA110) percorrida por velhas Toyotas Bandeirantes que nela deixam sulcos que tirariam ao buggy qualquer veleidade de ali chegar!...
O Brasil rural está aqui bem espelhado nas aldeias que atravessamos junto à trilha, algumas dum encanto inusitado!... coisa rara por estas paragens!... depois ao fim de algumas horas e, no meio duma mata de catinga, o aparecimento de alguns coqueiros é o sinal, para os nativos, de que a aproximação a Santo Amaro chegou... O Rio Grande, que de grande só tem o nome, embora seja bastante largo nalguns troços, que se atravessa a vau, o mesmo fazendo os porcos, as vacas, os tractores e as pessoas!... às vezes com a água pela cintura mas de curso lento, portanto, sem perigo!... que envolve a cidade, parece ser a razão da sua existência.
Tudo parece girar à sua volta. Ali bebe e pasta o gado, fazendo já alguma pressão de matéria fecal a jusante no começo da lagoa, ali se lava a roupa, ali se pescam os camarões da Malásia, grandes como lagostins e quase sem patas!... que acompanhados de caipirinha feita com cachaça artesanal de mandioca, a TIQUIRA, faz uma mistura explosiva!...Os forasteiros ainda são raros o que lhes confere atenções que se perderam nos outros lugares. Mas Santo Amaro não está ali por nenhuma dessas razões!... está ali para proporcionar a realização de sonhos!... e isso não é tarefa fácil!... As ofertas de passeios são, deceptivamente, medíocres, talvez com menos qualidade do que em Barreirinhas... porque o
IBAMA controla com mão de ferro os acessos ao Parque Natural... e também porque aventurar-se Lençóis adentro não é tarefa para qualquer um!... mesmo para os locais!... e, ao fim, de dois dias, o tédio começa a ter campo para instalar-se... "eis senão quando..." se desenha uma hipótese de fazer a travessia, com passagem pela Queimada dos Britos com almoço de galinha caipira!..(uma especialidade no Brasil!!!...).
Conduzir ali!.. está fora de questão. Esta é uma viagem que não existe, conduzida por um motorista experiente e navegada por um guia competente!... GPS?!... o que é isso por estas paragens?!... nem é preciso porque o trajecto é recortado com uma precisão cirúrgica por um mar de areia branca, lindíssima, a perder de vista em cintilações de outro mundo, de crista em crista sem um único recuo ou atascanço!... Esta viagem nunca existiu.. porque não é permitida!... e, na pousada, a empregada admirou-se... exclamando: "o XXXXX está arriscando muito!..." porque não basta apenas o IBAMA proibir... é que as multas são mesmo pesadas!... Os sonhos nunca se realizam!... quando muito actualizam-se!... são imagens virtuais que, quando em confronto com a realidade sofrem sempre uma correcção negativa!... O defeito dos sonhadores puros é o medo da realidade!... o dos realistas é a incapacidade de sonhar!... Gosto muito de sonhar !... gosto muito de corrigir os meus sonhos... sem que isso me retire a capacidade de sonhar!...
Lisboa, 18 de Março de 2007
Outros Lençóis!...
Pangeia, (do grego clássico PAN=toda e GAIA=nome que na cosmogonia grega primitiva designava a deusa Terra e donde deriva o prefixo moderno geo), é o termo utilizado para nomear aquilo que, hoje, é aceite como tendo sido, supostamente, um continente único rodeado por um mega oceano (pantalassa de PAN=todo; TALASSA=mar). Fenómenos tectónicos ocorridos no seu interior terão fraccionado Pangea em blocos gigantescos, Da mesma cosmogonia há relatos de lutas de gigantes, ancestrais dos deuses da sua mitologia, que habitariam o interior da terra no qual estariam aprisionados por titãs, De qualquer forma, as lutas titânicas e os fenómenos tectónicos da teoria moderna parecem ser versões diferentes dos mesmos factos pelo que parece aceitável a ideia de que a Pangea pode ter sido uma realidade!... A crosta dessa Pangea original seria mais ou menos plana a imaginar pelos vestígios que, segundo os entendidos, dela ainda resultam. O enrugamento da crosta devido ao movimento das placas e a erosão, ao
longo dos milénios.... tê-la-ão feito desaparecer quase por completo, limitando-se, nos nossos dias, a uma representação quase residual, de que a Chapada Diamantina é, dizem, um dos bons exemplares. Dessa erosão e movimentos tectónicos terão resultado uma série de acidentes geológicos constituídos por cavernas, grutas, poços, labirintos rochosos e morros. Estes serão os derradeiros vestígios intocados da crosta primária de que o Morro do Pai Inácio, muito visitado devido à lenda a ele associada, é um dos exemplares. Nesta região
subsistem vários outros morros de maior ou menor extensão horizontal mas todos com uma característica comum: de cimo plano e altura semelhante o que exemplifica a sua condição de vestígios da crosta pangea... e é uma sensação estranha ao pisar-se rochas com tão vetusta existência!.. tanta que ainda hoje ninguém sabe calcular-lhe, exactamente, a idade!..
Não visitei toda a Chapada. É uma área enorme!... mas do que vi, esta parece ser a zona que conserva os únicos
exemplares intocados... o resto, são formações curiosas formadas pela erosão quer cavando grutas, quer formando cavernas e poços gigantescos provocados pelos movimentos tectónicos, ou ainda formando labirintos e desfiladeiros, cachoeiras... pelo abaixamento e fractura da crosta devido à falta de apoio das camadas inferiores de areia levadas pelas correntes...
Localizada a cerca de 400 km a oeste de Salvador, na Bahia, tem como ponto central a cidade de Lençóis A cidade é acolhedora e respira-se ali um certo clima de segurança, invulgar noutras paragens do Brasil (e não só!...) e a população local quase desaparece entre a chusma de visitantes que regularmente recebe. Daqui podem explorar-se algumas dessas atracções por trilhas pedonais de acesso mais ou menos difícil consoante a condição física do viajante. Dos circuitos locais merece relevo o chamado Salão de Areia devido à forma curiosa e impressionante como massas enormes de rocha, dessa crosta primitiva, se amontoaram, na sua descida e A noroeste daqui fica a zona do Morro do Pai Inácio. Do alto deste, de dificílimo acesso, a panorâmica é extraordinária!... a erosão cavou extensos vales e colinas numa paisagem de que restaram alguns cumes ou desfiladeiros de invulgar efeito visual!.. depois, mais longe ainda, as grutas da Pratinha, Azul e Água Doce, esta última constituída por uma gigantesca nave de extensão desconhecida, cujos cerca de 600 metros explorados são, talvez, a maior nave subterrânea existente!...
pretextos para espantá-los!... a volta à luz é sentida quase como nascer de novo!...
As atracções da Chapada são muitas e todas muito distantes de Lençóis embora esta seja a cidade "pivot" da região. Os operadores, numa prática comercial pouco sensata e algo questionável, organizam excursões diárias a duas ou três atracções distantes de mais duma centena de quilómetros, deixando de lado, na mesma zona, outras atracções que fazem parte doutro itinerário!.. e, no dia
seguinte, lá vai o bacoco do turista percorrer exactamente os mesmos 170km por uma via difícil de piso completamente esburacado, para passar num ponto que ontem foi evitado, às vezes fazendo uma volta, para vender outra excursão...
A maioria das pessoas com pouco sentido de orientação não se apercebe disso!... mas, nem por isso, essa prática deixa de ser questionável!... seria muito mais inteligente fazer itinerários de dois ou três dias com dormidas
locais, já que há oferta nessas zonas que assim ficam atrofiadas em favor de Lençóis que começa a sofrer de hipertrofia!...
O ideal é fazer a zona em carro próprio e paulatinamente ir de atracção em atracção sem o eterno retorno a Lençóis. Existe um mapa detalhado da região, que disponibilizarei após georeferenciação para uso com GPS, onde constam todos os pontos de interesse bem como as estradas e trilhas que a eles conduzem...
Dessas atracções, agora a sudeste de Lençóis, merece destaque o Poço Encantado, não só pela dificuldade do seu acesso, primeiro com centenas de degraus a descer (e depois a subir!...) até à entrada situada numa fractura da crosta, mas sobretudo porque dentro tem uma passagem tão difícil completamente desaconselhável a gordos, velhos e pessoas com limitações de mobilidade!.. rsrsrsrsrsrsssss...
Lá dentro trata-se de um poço subterrâneo com uma
abertura para o exterior onde só entra o sol entre Dezembro e Janeiro lançando um raio, por algumas horas, sobre uma água tão límpida que deixa ver um fundo azulado tão nitidamente como se ela não existisse!... enganando quanto à sua profundidade aparentemente inexistente mas que é na ordem das dezenas de metros... em Junho e Julho é a altura da lua fazer a sua visita a este local que repousa na penumbra o resto do tempo!...
O clima da estação chuvosa pôs um fim à saga Diamantina... alguns pontos de interesse, de acesso mais difícil ainda!... dizem!.. ficaram aguardando a sua oportunidade!... Que ela se realize.. depressa!... Lisboa, 24 de Março de 2007
Apostilha 1
Sonhos, mistérios, crenças e superstições são a matéria de que é feita a felicidade!... Todos nascem da mesma fonte, se alimentam da mesma substância e produzem os mesmos resultados... a desilusão!... Felizes dizem-se aqueles que nunca atingem este último estado!... mas são como um fruto que nunca amadureceu!...
Há, no entanto, outra forma de felicidade. A de ver a ignorância cair!... Os meus sonhos são, de certo modo, formas de ignorância... eu só sonho coisas O mesmo se passa com os mistérios, as crenças e as superstições. Mistérios?!.. para mim ainda subsistem alguns... como seja saber como é que um brasileiro comum entende melhor um alemão do que um português!... Mas o pior de todos os males são as superstições, hoje cultivadas por todos os meios possíveis de que as televisões com a sua tremenda força de persuasão, se Uma dessas superstições foi até inventada por outra superstição maior, bem implantada no terreno, e a que a maioria das pessoas não consegue furtar-se!... as bruxas que durante séculos aterrorizaram gerações e fizeram vítimas desnecessárias entre elas próprias!...
Brasilês
Apesar do esforço dos políticos e outros conservadores, (que ignoram que uma língua é um sistema complexo e dinâmico que ninguém pode controlar!), para continuar a chamar-lhe português... a verdade é que a maioria dos brasileiros não identifica um português ao ouvi-lo falar e, desde espanhol, francês, italiano e, até alemão!..., já me têm confundido com tudo... excepto com um português!... Os próprios linguistas, engajados ao sistema político, bem se esforçam em fazer compromissos que nada resolvem, ignorando a própria cartilha da faculdade ...e eu acrescento que é um sistema complexo que traduz estados de alma sob a forma de pensamentos, sentimentos e comportamentos, de forma rudimentar!... Ora, os estados de alma dum brasileiro comum, situado em hemisférios, longitude e latitude diferentes, são completamente distintos dos do português comum... e a linguagem, cujas ferramentas, para exprimir essa realidade complexa, são a semântica servida pelos elementos estruturantes da fonética e da sintaxe, é completamente diferente consoante a ênfase que se põe
num ou noutro desses elementos para exprimir a realidade!... fui claro?... claro que não!... mas fui claro para quem entrar no meu sistema de pensamento... e este é o drama da comunicação!... de que a linguagem é o elemento principal.
Por outro lado, a forma como uma pessoa ou um grupo se exprime é um indicador da sua organização mental... e há pessoas muito racionais, ou muito sensitivas e, da dominância de um destes tipos assim uma cultura é mais
racional ou sensitiva... e o Brasil, para seu bem, e para seu mal!... tem uma cultura essencialmente sensitiva.
Enquanto uma cultura mais racional se exprime com recurso à sintaxe, em que a ordem das palavras é arbitrária, uma cultura sensitiva é mais fonética logo, quando o brasileiro comum se exprime, e fá-lo com uma sequência bem determinada de sons que ele conhece... o outro entende tudo...mas quando um português, de cultura racionalista, baseada na sintaxe, em que a ordem
das palavras e, por conseguinte, dos sons é aleatória, se exprime... o brasileiro não entende nada!...
É mais fácil entender o alemão que decorou umas frases feitas em brasilês e repete pela ordem conhecida dos sons... do que um português, fiado no conhecimento da língua, mas com a ordem dos sons baralhada!... isto para deixar de lado a semântica com uma panóplia de termos pejorativos/depreciativos dum lado que não são no outro!... e nem sequer mencionar a ortografia!...
Assim, se eu disser no restaurante "arranja-me um café... se faz favor..." eu recebo em resposta.. "oi!!!..." que é mesmo.. "não entendi nada!..."
.. mas se eu disser qualquer coisa assim... "vócê péga um càfèzinho p´rà mim pu fàvô!.." é mais que certo que tenho o café no lugar do "oi!..."
Lençóis, 5 de Fevereiro de 2007
Bruxas!...
Dizem-se descendentes dos celtas, adoram o sol, a lua, os pontos cardeais, a natureza.. mas também Deméter do Panteão Grego e Gaia, a deusa mãe pangea da cosmogonia grega mais primitiva!.. sem nenhuma preocupação com a fractura cronológica, histórica ou geográfica... o que se entende tratando-se de uma religião onde, como em todas as religiões, o factor determinante é a fé e não a coerência lógica. A religião diz-se Wican, das bruxas, que elas assumem São pessoas comuns no seu dia-a-dia, que se reúnem para praticar os seus rituais só abertos a iniciados... o que lhes confere, e elas cultivam, uma certa aura de mistério... falando ainda, e dizendo praticar!..., de coisas com tremendas cargas de horror como a prática da Visitei a casa Telucama, assim se chama o lugar onde habita a suma sacerdotisa, uma afro-brasileira que se diz descendente de portugueses de Gaia, de onde teria trazido os ensinamentos e a tradição conservada na família através das gerações!... outra incongruência a que É um espaço sem pretensões num quintal da própria casa onde se alinham os vários lugares dedicados a cada fase do ritual.. muito mais salubre psicologicamente do que ... a essa afirmação de liberdade, que julgam absoluta, só respondi:.. "que bom!... eu também sou um espírito livre que se libertou de tudo.. incluindo os rituais!.." Educados na religião católica que nos enche a cabeça de fantasmas na infância, vivemos a vida aterrorizados, às vezes sem o saber, por fantasias de milhares de loucos passados... saber que há bruxas reais que são boas pessoas Lençóis, 5 de Fevereiro de 2007
| |||
| |||
|
|