ECUADOR
ECUADOR


Latitude Zero, Galápagos, Cabañas de San Isidro

CABAÑAS SAN ISIDRO
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Quito mostra-se aos poucos. Aquilo que parecia uma cidade desinteressante vai revelando os seus encantos!...
Afinal a cidade nova tem uma zona animada que merece uma visita e o centro histórico não é tão pobre como parecia!... mas o tempo não permite essas veleidades. Há que fazer os últimos ajustes com as Cabanas San Isidro, na vertente leste da cordilheira.

Os arredores leste de Quito revelam-se dum recorte invulgar. Montes e vales abruptos, bairros alcandorados sobre falésias, pontes sobre ravinas profundas... rodeiam a cidade no acesso ao "páramo". Depois de uma zona menos acidentada, estrada, serpenteando na encosta dos montes, sobe, o GPS acumula altitude e, por volta dos 3500 metros paramos para fazer "birdwatching" em busca de algumas espécies desta altitude.
O meu motorista, guia improvisado, tinha conhecimentos razoáveis sobre o assunto, mas os resultados foram fracos.
Passamos os 4000 metros e começamos a descida. Apesar de estarmos no equador, o frio faz sentir as suas inclemências...
Junto ao Lago "Papallacta" fui mais bem sucedido e juntei, ao ao acervo de três espécies recolhido na subida, mais três.
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Cascatas
Mais abaixo a paisagem de altitude do "páramo" começa a dar lugar à vegetação que, em breve, se torna luxuriante como que a contracapa ou o reverso da vertente leste. Das montanhas deslizam cascatas para o rio que corre em vales recortados entre altas montanhas cobertas de floresta verde.
À beira da estrada o "Guango Lodge" é um momento de relaxe para almoço e sobressai pela qualidade da cozinha e profusão dos colibris nos comedores.
Depois é a continuação da descida nesta zona de floresta húmida de transição da montanha para a planície amazónica, passando por Baeza a caminho de Cosanga. Esta é uma zona de exploração de petróleo com alguma degradação ecológica e cuja preocupação das organizações de defesa do ambiente é bem conhecida.

Antes de Cosanga numa estrada de terra batida, à direita, atinge-se as Cabanas. Outro lugar fora do comum turismo de massas com simplicidade, gosto, atenção e comodidade. Como é da praxe tudo é em madeira e as habitações ficam afastadas da área de serviços. Aqui só vêm exemplares raros. Um grupo de gringos, um casal isolado, um exemplar só!... e mais tarde uma alemã excêntrica todos com o mesmo fim: "birdwatching".

Primeira surpresa. Num lugar destes, fora do mundo e de tudo, a cozinha é de um cuidado, duma imaginação e criatividade que deixa de ser uma actividade funcional para transformar-se numa obra de arte. Soube mais tarde que era uma actividade experimental da própria proprietária, aliás, como todo o empreendimento.
Neste lugar, onde temos a sensação de ter saído do tempo, o "stress" do dia-a-dia da vida urbana ocidental parece ainda não ter marcado lugar.

Um dia ao jantar, enquanto o marido, guia "birdwatcher", animava o seu grupo de compatriotas gringos, ela, ecuatoriana, de família tradicional com traços nitidamente conservadores mas liberal, senta-se à minha mesa.
Nestes países de colonização espanhola parecem ter persistido uns certos traços de elegância senhorial que o desenvolvimento ainda não apagou.
Uma senhora!... só comparável a descrições literárias de há séculos atrás!... elegante, educada, eloquente!... falámos, trocámos ideias... e embora as minhas fossem diferentes das suas foi elegante todo o tempo como uma verdadeira dama que sabe receber à boa maneira senhorial...

Eu era apenas um cliente, mas senti-me como um convidado.. e se esta é uma nova técnica de marketing "made in Ecuador!..." que seja bem vinda....é bem diferente da aparente delicadeza fria, cortante e exploradora da sociedade moderna.

Ecuador é tido como um lugar de terceiro mundo mas este é um lugar de turismo temático, selectivo, algo que ainda não temos em Portugal. Quem vem aqui é apenas para observar aves logo direccionado para um tipo exclusivo de clientela o que implica uma promoção também especializada.

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Trilha
O empreendimento dispõe de muitos hectares de floresta tropical húmida e está projectada a aquisição de mais umas centenas deles, prejudicada por disposições recentes do actual governo de esquerda, com o qual a minha anfitriã se mostra um pouco ressentida!...

A lista de aves residentes é enorme... mas observá-las!.. isso é outra coisa!...

Manhã cedo. Desço degraus molhados e escorregadios para fazer uma trilha que me parece exequível até ao almoço. Sozinho, floresta adentro. O sol nascido há pouco desenha raios dispersos por entre as ramagens que se adensam cada vez mais até se perder por completo o contacto com a luz solar. Vou descendo, o piso molhado começa a apresentar bocados encharcados onde se passa por cima de pedaços de troncos cortados, escorregadios com musgo e líquenes, onde caminhar começa a ser um exercício de equilibrismo!...
A lista de aves é extensa mas... onde estão elas?... nada. A floresta parece em estado vegetativo como naquelas narrativas de conto de fadas. Nem ruídos de árvores ou outras espécies se ouvem... nada!... e recordo o contraste com o espectáculo orquestral com que fui brindado numa outra floresta luxuriante, há uns anos atrás, em Guadalupe.
O tempo vai passando e as dificuldades aumentando. às vezes a única opção é entre atascar ou escorregar!... e a humidade quase chuva que sempre nos acompanha nestes lugares ajudam à sensação de mistério.
De vez em quando o silvo curto e repetido dum colibri, invisível entre a folhagem perpassa daqui para ali como que num jogo de escondidas.
A floresta é cada vez mais majestosa e as copas perdem-se lá em cima a muitos metros de distância... e as ramificações de caminhos põem sempre um problema de decisão: por este?!... ou por aquele?!... porque um caminho pedonal em floresta densa não aparece num mapa do Google carregado no GPS.

Decisão tomada e o caminho continua descendo, encontro ribeiros que atravesso por uma tábua escorregadia... e outras ramificações se apresentam para tomada de decisão. Uma escolha errada e pode representar horas perdidas para recuperar aquelas que conduzem ao destino. Enquanto caminho vou tentando emitir sons que podem eventualmente ser entendidos por algumas aves nas imediações... e, a determinada altura oiço, longe, um cantar que me pareceu de quetzal.
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Quetzal
Procuro imitá-lo o melhor que posso mas muito mal!.. mesmo assim apercebo-me que esses sons se aproximam da minha posição e estabelecemos um diálogo... pouco depois um casal de quetzais esvoaçava nas copas das árvores por cima da minha cabeça... mas quando se apercebem do logro vão-se embora mais rápido do que tinham chegado!... mas mesmo assim foi o meu maior sucesso como aprendiz de "birdwatcher" .

Entusiasmado com este sucesso, não paro de olhar para as copas das árvores e na passagem dum rio com uma tábua coberta por uma rede para evitar escorregadelas, não reparo que uns vinte centímetros finais estâo desprotegidos. Ao colocar os pés nesta zona escorrego para a frente com inclinação de queda para trás mesmo para dentro do rio!... o movimento de compensação do desequilíbrio provocou uma nova escorregadela agora em sentido contrário que somada ao impulso para a frente me leva a mergulhar directamente na lama da margem.

Cara, óculos, braços, câmara, objectiva, monopé tudo enlameado!... Levanto-me, meio atordoado, e começo a lamber as feridas... óculos?!.. tudo bem... câmara e objectiva... quem sabe?... não há nada partido mas terá entrado humidade?... no corpo aparentemente também incólume.

A limpeza cuidadosa da câmara e da objetiva em todas as suas ranhuras e botões é prioritária para remover humidades e impedir a introdução de grânulos de sujidade e formação de poeiras por secagem que venham a danificar os mecanismos delicados destes aparelhos.

Ao fim de algum tempo a curiosidade e a coragem juntam-se para disparar a próxima foto!... huff!!!... aparentemente tudo bem!... mas enquanto subo daquele vale húmido, enlameado, cansado e com poucos resultados, vou pensando no que teria acontecido se tivesse caído ao rio ou feito uma fractura impeditiva de caminhar num lugar onde raramente passa alguém e onde ninguém sabia que estava!...

No dia seguinte vou com guia à reserva de Guacamayo. Os pássaros continuam escassos mas desta vez, alguns que teriam ficado despercebidos, são avistados... embora a foto nem sempre seja possível quer pela irrequietude de alguns quer das condições difíceis de luz de outros...
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Trogon
Mesmo assim, algumas espécies novas são acrescentadas à colecção.Nessa tarde junto ao rio vermelho e Baeza foi o momento mais proveitoso desta deslocação.

No regresso a Quito merecem destaque as majestosas vistas do Antisana que a 5763 metros de altitude espreita por cima duma coroa de nuvens dum branco imaculado.

E Quito, qual donzela envergonhada, (onde é que ainda há disso?!!!) revela-se prudentemente!.. O centro histórico entrevisto antes da partida é agora desvelado e centro de uma atenção mais cuidada. E, com surpresa, revela-se de uma monumentalidade inimaginada chegando mesmo a superar Lima e longe de La Paz.
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Catedral de Quito
Apesar dos desmandos de Cortez contra os Incas, a colonização espanhola deixou aqui marcas indeléveis da sua passagem!...





Apostilha

Oportunidade rara é sobrevoar a "Cordillera Blanca" esta zona dos Andes a norte no Perú, onde numa área de 180 por 21 km se encontram 33 picos de altitude superior a 5500 metros, com céu descoberto e observar, do alto, a majestade de tal prodígio da natureza!...
A explorar por terra numa outra oportunidade...
Se !!!...

Lisboa 3 de Dezembro de 2009



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