RIO DE JANEIRO
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Rio de Janeiro
CIDADE MARAVILHOSA
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Ela é maravilhosa segundo diz a canção!...

E é mesmo. Tenho afirmado por várias vezes que não aprecio o "dèjá vu" mas ainda não foi desta que me desapontou.
É maravilhosa porque está no Brasil, um país que me desperta os sentimentos mais contraditórios que vão do amor ao ódio!... odeio a sua violência; odeio o desmatamento criminoso da Amazónia!

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Rio de Janeiro
É maravilhosa pela sua geomorfologia. O mar e a montanha nela se abraçam quase esmagando o urbano que sobrevive nos seus interstícios e se enleia nas suas encostas quais plantas adventícias nos seus jardins e parques.

Maravilhosa pela sua alegria de viver num mundo como se não houvesse amanhã.

Maravilhosa na generosidade e candura das suas gentes que encaram um futuro difícil e incerto com um sorriso nos olhos e uma canção nos lábios.

Não sou boémio. Nunca saio à noite, desprezo e detesto a superficialidade, ausência de valores e perspectiva de vida das gentes que se movimentam nesse meio, mafioso, degenerado, devasso, sem sentido de vida, prazeres fáceis e consequências difíceis!

No Rio, gosto de instalar-me na Lapa, o lugar boémio, por excelência que recuperou esse título aos lugares burgueses de Copacabana e vizinhanças das últimas décadas de ilusão capitalista!

Ali há vida!... música para todos os gostos desde a representação etnográfica e folclórica à ideosincrasia urbana do samba e bossa nova. Na rua, em representações populares junto aos Arcos da Lapa aos bares e botecos com ou sem entrada paga... há de tudo!... e tudo tem um ar natural. Nada daquele ambiente tóxico que se vive nos meios nocturnos europeus!.
E tem mais. O Brasil é brasileiro!... Curiosamente mistura um patriotismo atávico com uma admiração sem limites pelo estrangeiro. E tudo parece conciliar-se!...

A música que ouvimos no Brasil é brasileira e os estrangeirismos são fagocitados pelo seu uso muito particular da língua de origem portuguesa.



A única maneira eficaz de conquista dum povo é "mudar-lhe a cabeça".. isto é.. programá-la culturalmente ou seja mudar-lhe paulatinamente os gostos, os valores, as crenças, os comportamentos e, finalmente, a língua!.
Contra isso o Brasil está vacinado.

Apesar das suas injustiças sociais, talvez maiores que em certos países, ditos desenvolvidos, da miséria prevalecente na maioria da sua população, o Brasil é o país com a vacina mais eficaz contra a absorção imperial.

Os agentes imperiais dominam o poder mas o seu número, apesar de elevado, é diminuto relativamente aos milhões que são brasileiros! Ao fagocitar os estrangeirismos integra-os na língua que assim resiste à substituição progressiva como acontece na Europa com o inglês.
Completamente independente no campo musical não precisa de importar cultura o que preserva a auto-estima como povo. Nas artes visuais produz do melhor que se fabrica para quem tenha as ferramentas de descodificação da densidade dos dramas psicosociais com que se defronta aquela dinâmica sociedade humana.

O que primeiro nos atrai no Brasil é a sua alegria de viver!... uma alegria que se traduz em proximidade, simpatia e acolhimento. Esta medalha tem, contudo, o seu reverso: é gostosa numa primeira aproximação mas tem tendência a cair na promiscuidade ou perda dos limites de privacidade. Um estrangeiro tem de lidar com isto com certo cuidado!.



A Lapa é um dos lugares onde se podem vivenciar muitas destas características mas para se conhecer o Brasil é preciso ir ao interior, ao Sertão, ao Nordeste, ao Pantanal e... jóia da coroa!.. a Amazónia.

Já tinha visitado o Rio. Revi os ícones mundiais, fui à floresta da Tijuca e visitei a favela da Rocinha, a maior, diz-se, do Brasil.
Admirador da natureza intocada já visitei alguns lugares de natureza pristina. A Tijuca como espaço verde junto duma grande metrópole tem os seus méritos mas nada para me impressionar.

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Rocinha
À primeira vista a Rocinha causou-me um sentimento misto de admiração e tristeza.
Já tinha visto, em Marrocos, aquele aglomedado de casas crescendo como cogumelos nas encostas das montanhas mas sem aquelas teias de cabos eléctricos e transformadores pendurados dos postes com uma infinidade de "gatos" de fazer inveja a qualquer aranha engenhosa! Como se sabe quem é quem quando um daqueles cabos se parte ou é desviado por um concorrente?!...
Por outro lado as casas em socalcos nas encostas do Atlas parecem oásis de paz comparadas com estes alvéolos de vespas que são as favelas. Mas por isso mesmo aqui há vida e muita da cultura brasileira nasce aqui.

Fomos recebidos com a afabilidade brasileira!... A favela diz-se pacificada, o que quer que isso queira dizer. À nossa passagem a polícia mantinha dois indivíduos de braços no ar de cara contra a parede!... mas já vi isso em outros lugares.

O centro, em grande parte injustiçado pelo turismo de surperficialidade copacabanista, contém meia dúzia de "gemas" dignas de constar dos manuais e cardápios culturais mundiais... bem mais preservados do que os descaracterizados monumentos europeus rodeados de lantejolas modernas, verdadeiras aberrações de que é exemplo extremo a catedral de Colónia ou o Mosteiro da Batalha a que foi retirado todo o enquadramento coevo sem se saber em nome de que conceito de cultura ou valores estéticos!.

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Gabinete Português de Leitura
Gabinete Português de Leitura!... um mergulho no passado. Interrogo-me como sobreviveu incólome sem ser abastardado! Não fora uns separadores em rede e fitas plásticas, grotescos sem sentido, mas, felizmente com ar provisório já que não foram inseridos nem ofenderam nenhuma estrutura, e a gente fazia a tão famosa viagem no tempo!... Uma delícia! Que haja bom senso para conservá-lo assim!...
Já o Teatro Municipal, de fazer inveja a muitos pelo mundo fora!, não teve a mesma sorte. Utilizado para os mais diversos fins viu finalmente a sua vocação redimida recentemente. Felizmente o restauro, bem conseguido, devolveu-lhe o esplendor antigo. Construído na época das famosas descobertas arqueológicas da antiga Suméria, reproduz com muita fidelidade os frisos de guerreiros e leões então famosos no mundo cultural.

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Teatro Municipal
A submissão dum povo faz-se, já o disse, pela substitução da cultura, chegava ao Brasil, com isto o anúncio do fim da Idade do Oiro que no espaço indo-europeu acabara 4500 anos antes na Suméria com o fim do nomadismo, da pastorícia e a invenção da propriedade privada e sua justificação divina com a invenção dos deuses!!


Lisboa, 21 de Fevereiro de 2015






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