PAX AMERICANA
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Os bárbaros

O problema actual é a aparente inexistência de bárbaros. Na "Pax romana" havia o problema dos bárbaros, expressão, aliás, copiada dos gregos a quem roubaram a civilização, esvaziaram-na de sentido e a arrastaram para charco, através do orgulho desmedido, da ganância, da devassidão, demolição dos valores e indignidade.
A princípio eram eles os bárbaros. Mas os vencedores canibalizam os vencidos e usurpam-lhes a dignidade. Mas nunca conseguem aceder às instâncias mentais dum povo superior. Conquistam, pela força, pela manha, pela traição mas nunca de peito aberto numa peleja da razão! O império romano, circunscrito à bacia do Mediterrâneo, tinha atingido os limites do alcançável com a tecnologia de então. E é quando esse limite é atingido que as coisas se complicam. Nesse tempo ainda não havia economistas e, se houvesse eram tão ignorantes como os de agora. Mas mesmo sem eles, para complicarem as coisas, a natureza segue as suas leis e é implacável na sua correcção. A riqueza do maior império (ocidental) conhecido até então era colossal, sedutora e parecia dar para tudo. Ser cidadão romano era ter acesso a privilégios semelhantes à aquisição de nacionalidade nos nossos dias. E esse privilégio ia-se estendendo paulatinamente a partir do centro à medida que a conquista feroz avançava na periferia... mas nunca chegava ali. Ficava sempre uma cintura de segurança, uma zona tampão entre esta e o núcleo central da cidadania, ou seja dos privilégios. Era a maneira ilusória de proteger o núcleo do exterior bárbaro que teria de enfrentar vários obstáculos antes de atingir os dignitários centrais. E chamava-se a estas zonas "pacificadas" "Pax romana". E o que eram estas zonas "pacificadas"?. Eram zonas onde os habitantes, a troco dumas sobras, se tinham deixado programar para aceitar o jugo romano.

Isto funcionou enquanto o império se expandia e podia dar-se ao luxo de distribuir restos. Quando esse fluxo acabou e deixou de alimentar o núcleo, ninguém querendo perder privilégios, este entrou em fusão. Foi esta fusão que destruiu Roma não os nórdicos impropriamente chamados bárbaros. Eles apenas fizeram o que Roma fazia: seguir o paradigma errado que a humanidade já vinha trilhando há milénios adquirido pela necessidade de sobrevivência... e que a humanidade até hoje ainda não soube inverter.

Há quem diga que a história se repete; há quem diga que é ciclóide; há quem acredite no mito do eterno retorno... e tudo pode ser diferentes formulações duma mesma realidade. Hoje assiste-se a uma nova "pax". O império foi conquistando "bárbaros". Foi programando esbirros nos territórios conquistados, quais Pilatos que já nem lavam as mãos!... mas continua com "bárbaros" ameaçadores fora das suas fronteiras no momento em que a expansão acabou! A submissão de povos tem sofrido cada vez mais fracassos e a consequente rapina não paga os custos de intervenção. Resta a pressão financeira sobre os submissos e é esse limite que está a ser atingido. A luta interna vai intensificar-se à medida que a rapina sobre os submissos se for intensificando.

É claro que ainda continua a cobrar impostos, a lançar derramas e a fazer saques subreptícios... mas a ganância do núcleo é insaciável. Quer sempre mais viciada na prática de rapina antiga que lhe alimentou a ilusão de crescimento infinito. Criou até um código de programação mental dos servidores, em todo mundo, chamado economia, que não ensina a economizar nada mas sim a justificar a exploração de uns pelos outros com artifícios que a maioria não entende. Mas o fiasco do sistema está já à vista. Cada vez massas maiores de espoliados começam a ver que "algo está podre no reino da Dinamarca". O núcleo ainda não entrou em fusão... mas as fissuras já são, por vezes , violentas. Um pequeno desequilíbrio é suficiente. Não sei onde nem quando ele vai surgir... mas vejo-o no horizonte talvez sob a forma de combate bíblico que fará os quatro cavaleiros parecerem brincadeira de crianças.

7\7\2013




Apostilha
Este texto era para ser mais extenso. Nele propunha-me abordar a forma de programação mental dos súbditos que os leva a aceitar pacífica e agradecidamente os dominadores/exploradores e rejeitar as soluções que os poderiam beneficiar.
O incidente vergonhoso com o avião de Evo Morales justifica a sua inserção neste momento pois esse acidente é a prova daquilo que aqui se afirma.
07/073013



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