O Insulto
O Insulto





Mourinho

Eu seria um excêntrico com 16 milhões no bolso!...
No entanto 16 milhões de prémio por um fracasso!... impressiona, negativamente, toda a gente!...

Para quem não usa a cabeça, a não ser para obedecer ao dono, esta observação não faz sentido. Estão programados para servir a rotina, reforçar a alienação e reproduzir o modelo dos poderosos cujas dores assumem como suas.

O futebol que começou como uma actividade lúdica, há muito que deixou de o ser e transformou-se numa das armas mais poderosos do capitalismo acéfalo.

Como actividade lúdica, como todas as outras, tinha o seu valor de entretenimento do espírito a fim de libertá-lo dos horrores da escravatura em que se transformou o trabalho, dito livre.

Hoje usa escravos de luxo, bem pagos, criminosamente bem pagos, para manipular e condicionar as mentes dos milhões de escravos que servem esta sociedade de sociopatas. O condicionamento mental (programação de neurónios) é de tal ordem que pessoas que estimo, ficam doentes quando o seu clube perde!... e esquecem os condicionamentos da sua própria existência.

Dezasseis milhões para premiar um fracasso!... e este caso não é único... é, aliás, moeda corrente neste mundo paralelo do "pontapé na bola" onde se premeia o fracasso porque o dinheiro não custa a ganhar: fabrica-se!.

Fabrica-se?!... sim e não!... mais uma afirmação absurda para consciências lineares...

O dinheiro vale aquilo que valer a riqueza dum país... no caso da globalização vale aquilo que valer a riqueza do mundo!... mas quem faz essa avaliação?!...

Tal como a água, e todos elementos químicos, que no dizer da Lavoisier "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" também na riqueza do mundo 'nada se cria, nada se perde, tudo se transforma'.

Só que na natureza existe uma limitação física que provoca escassez quando a procura aumenta e o capitalismo inventou uma fuga a esta limitação... o dinheiro.

O dinheiro dum país, e por consequência o dinheiro do mundo, só vale aquilo que valerem os bens naturais do planeta. Tal como a água, funciona num sistema de vasos comunicantes... o que quer dizer que quando está em excesso num lugar falta nos outros... logo, quando não tenho um tostão no bolso, ele foi parar, sem que eu saiba como, ao bolso de outrem!...
... mas como?!... se ninguém me meteu a mão no bolso?!...

É aqui que está o embuste. Os dezasseis milhões que vão parar ao bolso do Sr. Mourinho, na Inglaterra, tão longe daqui, para pagarem um fracasso, como podem, em parte, ser meus?!...

Para simplificar uma história mais complicada, direi, que ao contrário do ouro, cujas tentativas milenares de sintetização, desde a 'pedra filosofal' da idade média, nunca foi possível*, o dinheiro pode ser fabricado. Aliás, como invenção humana, não tem limites de criação!... (e nisto os homens superaram os deuses e ainda continuam acreditando neles!... que imbecilidade!)... e ao fabricar dinheiro, aqueles que o podem fazer, estão tirando valor aos tostões que você tem no bolso e quando vai, a pensar que é um excêntrico, comprar aquele avião para estacionar no jardim à frente da sua casa!... e impressionar os vizinhos com a sua nova grandeza!... compra uma bicicleta... e vai alegremente atropelar peões no passeio julgando-se o maior, dentro na nova regra ecológica, a quem tudo é permitido!...
Logo, ao darem somas estrondosas ao Srs. Mourinhos sem o fazerem consigo, estão a meter-lhe a mão no bolso... e, infelizmente, você adora os Mourinhos que há por aí como se não fosse você quem está a dar-lhe aquilo que não tem para si.

Lisboa, 18/12/2015

* Do dinheiro há muito mais que dizer mas excede os limites deste epigrama.








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