Kennedys - A derradeira Esperança?
Kennedys - A derradeira Esperança?







Comemorou-se, há pouco, o cinquentenário da morte de Kennedy. Como crítico da América do seu papel no mundo, não posso deixar passar este acontecimento em vão. Apesar de, então, no fervor dos anos sessenta, a América ser já, para usar uma expressão moderna forjada pela prória América, o "Eixo do Mal"...fiquei chocado com o acontecimento, impróprio duma sociedade moderna, ainda que errada.

Então, o mundo estava num pico de tensão que remontava aos anos 40 e aos resultados da Segunda Guerra Mundial na luta pela hegemonia entre as duas potências vencedoras.

A América (do Norte), nascida da aglutinação artificial e violenta de ex-colónias europeias, lugares de deportação de condenados marginais e violentos mais uma casta racista, expulsa da Europa, que sempre resistiu à miscigenação, ao longo dos milénios... poupada às razias do nazismo, pode assim arvorar-se aos esplendores de potência mundial ao intervir na guerra. A derrota do nazismo foi um triunfo conjunto de protagonistas aproveitado pelos mais fortes ou oportunistas em seu favor. Sem o esforço dos países ocupados, a colaboração das populações e, sobretudo, o trabalho de campo sob o maior risco de vida alguma vez vivido duma organização espontânea chamada "RESISTÊNCIA", talvez essa vitória não fosse possível e, hoje, é difícil imaginar o que a sociedade actual seria.
Hitler era um psicopata medíocre. Mas, como todo o psicopata teve laivos de intuição. A Alemanha vivia a crise financeira mais aguda da história moderna e isso tinha uma causa que era simultaneamente cultural e histórica. A sua intuição estava certa quanto aos motivos mas exagerou na cura. Quando se matam os tecidos sãos à volta dum tumor, mata-se frequentemente o hospedeiro de ambos.

Dos vencedores, dois se destacaram. Periféricos, poupados às perdas de produção que uma ocupação implica, estavam em condições de dividir o saque entre si.

O nazismo já estava vencido quando a América fez rebentar duas bombas nucleares sobre o japão que recusava ainda reconhecer essa derrota... mas o seu lançamento sobre milhões de inocentes tinha um outro objectivo: mostrar ao co-vencedor quem era mais forte. E esse braço de ferro permaneceu até... (quem sabe quando)?

Para além da vantagem de estar fora do alcance dos raides aéreos nazis, a América beneficiou de outra vantagem da sorte, aliada á sua experiência de rapina inscrita no seu genoma geral e sentida como natural e legítima. Hitler, ao que parece, tinha a bomba atómica em avançada fase de desenvolvimento e fábricas de "água pesada", na suécia prontas para a produção da mesma. " Ao que parece" esses planos terão sido roubados pela espionagem americana... "que longa tradição!"... bem como o aliciamento de "sábios" para produzi-la na América.

Da produção dessa bomba, dos ensaios no deserto do Nevada, dos terramotos estranhos, das doenças desconhecidas surgidas entre as populações vizinhas e outros terrores infligidos às populações antes de exportarem esses horrores para o estrangeiro, é assunto que deixo para os próprios americanos gerirem.

Como sempre aconteceu ao longo desta civilização errada, a guerra é sempre resultante dum "roubo original", a que a Bíblia mais tarde veio a chamar "pecado original" e que não passa de um programa genético ancestral, inscrito algures num gene ainda não traduzido, que por azar ainda não sofreu nenhuma mutação. Já que a ciência tem pretensão de conhecer já todo o genoma e não identificou ainda nenhum gene com esta função, eu chamar-lhe-ei apenas "programa" (o programa da ganância). E este programa, escrito na origem da espécie tinha como função assegurar a sua sobrevivência mesmo em prejuízo do individuo.

Outro gene ou programa, que não mudou, contribuía para o mesmo fim (a este chamarei o programa do cio) e ambos fizeram o sucesso animal da espécie... e serão, se não mudarem a causa do seu fim.

Ora, foi o aumento excessivo de população num espécie sem período de cio que ajudou a manutenção do programa da ganancia gerando sempre a sensação de escassez nos elementos mais débeis do ponto de vista mental mas, eventualmente mais robustos fisicamente, dando origem à "lei do mais forte".

Foi com base nestes pressupostos que a sociedade se desenvolveu ao longo dos milénios sem nunca ter tido o génio para invertê-los. Toda a organização social actual assenta no valor sagrado da propriedade, ou seja da apropriação por alguns daquilo que é de ninguém. As formas complexas que esse roubo assume modernamente são tais que a maioria dos praticantes não tem sequer conhecimento claro daquilo que pratica. Foi programado para fazê-lo numa escola de programação mental famosa. Tem um MBA, um "Prémio Nobel". Fá-lo servilmente. Até um dia.

Se bem que a humanidade, como um todo, não tenha tido o génio para corrigir esta evolução errada, alguns indivíduos no seu seio, sempre tiveram a intuição de que "algo está podre no reino da Dinamarca".

E assim surgiram teorias nos últimos séculos que se propunham inverter a situação do ponto de vista político social. Ora, inverter uma situação é pô-la com sinal contrário o que não implica mudar a sua qualidade. Talvez por isso tenham falhado.

Ora, é neste contexto de luta entre os defensores do "roubo original" e os inversores do sistema que surge o fenómeno Kennedy. Os filmes, os livros, os comentários mais ou menos romanescos sobre a personagem não passam de mais manobras de diversão, venda de títulos ou conquista de audiências.

A China de então, com Mao, vivia debruçada sore si própria com a sua "Revolução Cultural". O mundo estava dividido em dois blocos colonizadores que disputavam com a sua ganância e a arma de persuasão não era a razão entre o certo e o errado mas o número de ogivas nucleares que cada um possuía.
Não se olhava a meios para atingir os fins. A América fazia e desfazia governos dentro da sua esfera de domínio como a antiga Roma fazia e desfazia pretores, questores, cônsules e curadores sem respeito pelas populações incluindo a interna. A União Soviética mantinha a ferro e fogo a partilha da Europa que lhe coubera nos despojos de guerra. Mas tinha uma lança apontada ao coração da América, Cuba, a poucos quilómetros da costa, o que muito incomodava as alas mais retrógradas do sistema americano.

Paradoxalmente, ou talvez não, nesta época surge um movimento cultural sem fronteiras que pugna por um mundo melhor. É apolítico, no sentido em que não quer conquistar o poder. Apenas não quer este poder ou talvez poder nenhum!
Estamos nos alvores da guerra do Vietname para onde as superpotências deslocaram o seu ajuste de contas. E esta parte da opinião pública americana e mundial não quer guerra. É a primeira vez, e a última, que uma fracção considerável da humanidade dá sinais de querer mudar de paradigma, construir uma sociedade decente baseada noutros valores que não os do roubo permanente e a acumulação sem limites por parte de alguns.
A União Soviética prometia esse mundo!...mas não o dava; a América negava a sua possibilidade e esta civilização nunca esteve tão perto do seu fim. Os incidentes, as provocações e as ameaças eram permanentes. As alas radicais dos dois lados pressionavam os presidentes a intervir. Na América a CIA, o FBI, a máfia e os dissidentes cubanos com participações cruzadas entre as diversas organizações clandestinas e oficiais eram um "melting pot" difícil de controlar.

A pressão para Kennedy invadir Cuba e derrubar Castro atingiu as raias da desobediência. A instalação de mísseis nucleares pela União Soviética em Cuba foi o momento mais escaldante desta escalada, a que chamaram, eufemisticamente de "guerra fria"... foi um momento bem quente para Kennedy.

Kennedy era um homem da sua geração. É um mistério como homens destes chegam ao poder porque o sistema filtra-os. Dizem as más línguas que foi eleito com o apoio da máfia com quem o pai mantinha relações.
Seja como for, ele e o irmão Robert, vítima do mesmo destino e relegado para os recantos de esquecimento, comungando dos valores do seu tempo, empreenderam uma campanha para redimir a América da sua imagem negra interna e externamente.
Sabiam os riscos que corriam e enfrentaram-nos. Têm o meu respeito.
Internamente quiseram por fim à ìmpunidade da máfia e reduzir as desigualdades sociais; externamente, diz-se, que mantinham contactos extra-oficiais com Khrushchev a fim de ambos evitarem o confronto apocalíptico que os falcões de ambos os lados pretendiam.

Não os deixaram acabar a sua missão. Diz-se que Robert terá descoberto a conjura que matou o irmão e ficou calado por patriotismo. Falando envolveria o país numa guerra civil de consequências imprevisíveis. Queria chegar ao poder para fazer justiça. Também não o deixaram.

Não se sabe o que seria o mundo de hoje se Hitler tem ganho a guerra; não se sabe o que seria o mundo hoje se os Kennedy não tivessem sido assassinados. O que sabemos é que a América continua na sua senda de iniquidades mundo fora, agora mais desaforadamente na ausência do arqui-rival, obedecendo ao programa de ganância do seu genoma agora não ao serviço da sobrevivência da espécie... paradoxalmente pondo-a em risco.

A natureza não é nossa, não é de ninguém. Nós é que somos dela. É ela quem tem a última palavra... mas até lá muitos dos seus componentes cometem atrocidades uns contra os outros e aqueles que se ufanam de serem superiores são os que mais as cometem.

Esta humanidade tem em si elementos capazes de construir uma sociedade digna de seres superiores que superaram os constrangimentos da matéria... mas são tão poucos!... e a inexorável lei bárbara do mais forte é quem ainda dita as regras. O mundo foi apropriado por psicopatas subdesenvolvidos e nas mãos deles permanece provavelmente até à extinção da espécie que assim falhará o seu desígnio de ser superior, o que alguns, pelo menos, merecem!

Lisboa, 24 de Novembro de 2013




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