IDEOLOGIAS!...
IDEOLOGIAS!...




Empresa falida paga ordenados milionários a administradores!...

Direita, esquerda e centro.

São conceitos espaciais que designam localizações relativamente umas às outras. O centro, por definição fica rodeado por outras localizações que, por isso mesmo, são periféricas.
A aplicação destas designações ao espectro ideológico tem algo de forçado e incongruente já que uma ideologia nada tem de espacial.. mas sim de psicosocial.
A sociedade humana, segundo a perspectiva evolucionista, (há ainda, apesar de tudo, uma perspectiva criacionista - já tratei desse assunto num outro lugar) evoluiu a partir da necessidade de sobrevivência individual baseada na lei do mais forte.
Estruturou-se com base em comportamentos de rapina de que a história da cultura é o melhor testemunho se a extirparmos dos julgamentos valorativos de nobreza, heroísmo, patriotismo e outras formas subreptícias de condicionamento psicológico, ao serviço dos raptores.
A organização social que chegou aos nossos dias traz em si a marca de todos esses estigmas. Organizada em torno dessa necessidade ancestral, que se tornou redundante, para muitos, dada a abundância (e desperdício) de recursos, continua com essa distorção amplificada exactamente por aqueles que deles dispõem em maior quantidade.

A história conhecida da humanidade é um repositório cruel de agressão, chacina, rapina e tortura de vencidos... para glória dos vencedores!... triste glória!
Não contentes com isso, ou talvez por não suportarem a culpa inconsciente, os mais fortes (fisicamente-claro!) até inventaram umas entidades supra humanas que colocaram num além imaginário a quem obedeceriam e ao serviço dos quais estariam. Mas até essas entidades imaginárias, desde as mitologias antigas às religiões modernas não passam de duplicações dos horrores humanos de humilhação, castigo e expiação numa dimensão imaginária!.

Voltemos à terra!... Nesta sociedade distorcida que herdámos, baseada num roubo ancestral em que os mais fortes se apoderaram daquilo que era de todos e se estruturaram de modo a que o processo se tornasse irreversível, os problemas aumentaram na proporção do aumento da população... e, hoje, atingiram o ponto de rotura com o fim do aumento dos recursos! Uma das muitas formas que assumiu esse roubo organizado atingiu a sua expressão máxima, a ocidente, no Império Romano. O roubo aqui atingiu proporções tais que "no centro" vivia-se do roubo feito na periferia a muitos milhares de quilómetros de distância!.
Mas antes disso, no mediterrâneo oriental, num espaço que hoje constitui a Grécia e o sudoeste da Turquia, ensaiou-se uma forma de organização social que, na letra, procurava obstar a algumas dessas distorções sociais herdadas. Chamaram-lhe democracia. Morreu cedo. Foi morta por uma irmã gémea que não queria partilhar o espaço herdado: a demagogia!...

O Império Romano caiu. Não conquistado pelos bárbaros, como nos contam... mas porque, nas condições de tecnologia da época não era rentável roubar mais longe e a ganância do centro já consumia todos os recursos dos territórios dominados e queria sempre mais! A luta agora era entre ladrões centrais!... (talvez seja a estas lutas num passado mais remoto, não documentado, que a mitologia grega chama lutas de titãs!)... e, quando isso acontece, é o centro que se desmorona.

Dos escombros do Império Romano sobreviveu uma sociedade fraccionada, confusa, mais ignorante, mais primária e mais bárbara do que a anterior. A humanidade não tinha evoluído nada e termos mentais para encarar o futuro noutra perspectiva...
Os potentados locais que entretanto se estabeleceram, sempre com base no mesmo princípio - a força - eram mais cruéis e bárbaros que os anteriores. Os modernos chamaram a este período, inadequadamente, Idade Média.

Quando em 1789, na França, os espoliados, arregimentados por outros interesseiros, se revoltaram contra o arbítrio, crueldade e decadência destes herdeiros do roubo ancestral, na câmara então convocada para gerir os destinos no país sentavam-se várias tendências ou seja perspectivas diferentes quanto à forma de governo, já que a organização social permanecia a mesma... e permanece até hoje! (nenhum filho de rei é pobre-embora alguns filhos de pobres tenham enriquecido- por processos escusos, como sempre).
Vamos pensar em termos espaciais. Num semi-círculo (planta comum de qualquer parlamento) o centro físico situa-se no centro do que seria o círculo completo. Esse é o lugar da presidência. Na Assembleia Francesa, os representantes dos valores tradicionais da realeza absoluta e despótica sentavam-se à direita; os representantes da revolução à esquerda da mesa.
Daí a designação.

Todas as revoluções progressistas são revoluções falhadas, mesmo quando aparentemente vencem, as velhas crenças e concepções renascem sempre como aquela ave mítica (curiosamente também grega) chamada Fénix.
A Revolução Francesa, aparentemente, revolucionou todo o mundo dito ocidental e os seus princípios ainda hoje são exportados completamente distorcidos pela ordem social actual imposta pelo novo império!
Mas a designação revolucionária não faz corar de vergonha nenhum dos conservadores actuais que a adoptam sem pudor jogando na ignorância generalizada. Assim é comum, ainda hoje, designar-se de direita os grupos de interesses conotados com o roubo ancestral e de esquerda os grupos de interesses conotados com uma pretensa mudança social mas que nem eles sequer sabem no que consiste. E este é o drama da esquerda: falta de identidade, não saber quem é, o que faz aqui, nem para onde vai.

E o centro?.. o que é. Na Assembleia Francesa era a presidência!... embora não se designasse assim. O centro ideológico é um lugar sem espaço!... entre a direita e a esquerda há uma linha divisória imaginária que separa os dois. Como uma linha é uma sucessão infinita de pontos sem dimensão!.. imaginem o que é o centro!... rsrsssss
Em Portugal, depois de 1974, entrámos nesse equívoco. Então, dada a necessidade de sobrevivência, ninguém era de direita... e como a esquerda tinha promovido o conceito de trabalhador, todos eram trabalhadores. Não discordo... mas muitos continuavam a ser também mais alguma coisa!
Os grupos de interesses herdeiros do roubo ancestral começavam nessa dimensão inexistente chamada centro: Centro Democrático e Social, Partido Popular Democrático (com gente que odeia e teme o populismo!), Partido Socialista... e aí por diante com uma infinidade de grupelhos ditos de esquerda mas que nem sabia de que lado tinham essa mão!... com uma estrela dominante Partido Comunista Português que deu as cartas durante algum tempo de confusão enquanto a Fénix incubava para renascer!...

A Fénix renasceu em 25 de Novembro de 1975. Desde então não mais deixou de fazer razias realinhando o espectro ideológico de acordo com o seu discurso.
Assim hoje temos, à direita ideológica, um grupelho, que por medo em 1974, se dizia estar ao centro; segue-se um grupo mais significativo que se dizia "popular", era imperioso para não correr riscos!..., ao centro a "jóia da coroa" um partido borderline, e a esquerda estática na sua posição de sempre.

Começo pelo centro, um lugar que não existe, e por isso o partido que ali se situa é borderline. Borderline é um termo importado da psicologia clínica e diz respeito àquelas personalidades deslizantes ou instáveis que mantém os pés um de cada lado da linha que separa o legítimo do ilegítimo. Em acção estão do lado ilegítimo; no discurso estão do lado legítimo.
À direita temos um misto de anti-social com narcísico com desprezo pelas pessoas e necessidade de auto-imagem e "status".
À esquerda temos uma personalidade histriónica: muito barulho, muita necessidade de seduzir e pouca acção.

A direita é a mais consequente: Faz aquilo que sempre fez: explora. oprime, e assume-o, de certo modo; o centro não assume... é isso uma característica do borderline, diz uma coisa e faz outra chegando a ser pior que a direita quando necessita e pode; a esquerda não sabe o que fazer. Sabe que não quer isto mas não sabe se quer aquilo. Na versão PCP não passa duma relíquia, bem intencionada, acredito, mas inconsequente. O marxismo há muito que se esgotou e o PC parece um orfão sem saber onde encontrar apoio ideológico. As análises de Marx, argutas no tempo em que foram produzidas, acerca da realidade social provocada pela Revolução Industrial Inglesa, perdeu actualidade com a mudança social entretanto operada. Mesmo a solução preconizada por Marx de conquista do poder pelo proletariado revelou-se um equívoco estranho em pensador tão arguto.
Não era preciso o colapso de União Soviética para provar isso. Bastava pensar!...

A natureza é a mãe de todas as coisas, não é propriedade de ninguém. Se a propriedade é, como ele afirmou, um roubo é um roubo feito à natureza (um roubo ancestral) e é a ela que esse roubo deve ser devolvido. Transferir a propriedade dos patrões para os servos era apenas mudança de ladrões, eventualmente, organizados de outra maneira. Foi isso que a União Soviética mostrou e não o triunfo do capitalismo como sistema social correcto, certo, justo ou aceitável.
Também ele vai ver o seu fim, e de forma mais dramática ainda, porque a natureza não perdoa.

O resto da esquerda nem existe. Entre o comportamento de fixação sexual característico deste tipo de personalidade está a maior bandeira de luta destes grupelhos, durante décadas, de defesa de homossexuais em vez de se preocuparem com os problemas reais do país e elaborar uma doutrina credível em que assentasse uma nova ordem social.
As medidas avulso que histrionicamente apregoam, em tempos de propaganda, se implantadas num sistema de direita, seriam mais prejudiciais que benéficas.

Foi esse o erro do PC em 1974/5 mas esta gente não aprende nada com os erros! E foi assim, na ausência de alternativa, que o sistema de direita, herdeiro desta trajectória de horrores, evoluiu naturalmente para a sua expressão absolutista matando a própria ideologia. Beneficiou também duma lei poderosa de física: a inércia. Para fazer uma massa mudar de trajectória é preciso muito mais energia do que para mantê-la nessa trajectória, embora neste caso se deva falar com mais propriedade de resiliência. De certo ponto de vista até parece que deu um tiro no pé... porque o atrito é um inimigo mais lento mas o mais implacável da inércia.


Vou falar de photoshop...

O photoshop é um programa informático, para quem ainda não saiba!, que permite compor imagens em camadas com níveis variáveis de transparência.
A história da humanidade é como uma imagem de photoshop com a evolução social disposta sob a forma de camadas mais ou menos transparentes.
Começa com um fundo negro de horrores sobre o qual se sobrepõem camadas diversas de outros horrores que se misturam mas nunca desaparecem por completo,resultando numa visão compósita fantasmagórica que ninguém entende. A última dessas visões era a ideológica dos "... ismos" de direita e esquerda que começa a sucumbir submersa numa outra recente a que chamarei, por analogia, financismo.


Embora, nominalmente, ainda se fale em direita e esquerda nesta saga cega da evolução, as ideologias estão mortas!... hoje quem reina é um sucedâneo da direita mais radical herdeira do esclavagismo antigo, o financismo, cuja interface se chama "mercados".
E quem são os mercados?... fantasmas intangíveis que a gente não sabe quem são para lhes dar um murro no nariz... é como que pegar num sonho, quando julgamos tê-lo na mão ele esfuma-se sem deixar rasto.

São entidades fatasmagóricas cujo coração é uma máquina e a sua alma vive lá dentro feita de silicone, e pequenas cargas eléctricas chamadas, na linguagem imperial, de bytes. A sua lógica é contabilística, funciona segundo a lei do mais ou menos e não das velhas leis de causalidade, contradição e terceiro excluído.

Mas por detrás delas estão homens, homens inocentes, tão inocentes como nós, cujo destino até parece dirigido pelas mesmas máquinas... mas que nessa tarefa difícil de gerir empresas ganham ordenados e prémios de milhões de unidades de moeda local, fazem negócios fictícios para aumentar ficticiamente os lucros das empresas para justificarem (a quem?) mais e mais ordenados e os famigerados bónus, deixando as empresas sempre à beira da insolvência e sempre reclamando redução de custos em salários das outras camadas profissionais, lançando no limiar da pobreza um número cada vez maior de pessoas que trabalham, reclamando sempre redução de impostos enquanto eles sobem para os mais pobres e declarando-se trabalhadores quando se sentem ameaçados...
Esses são os mercados, os fantasmas sem rosto, a aristocracia actual herdeira dos déspotas da Idade Média... frequentemente adulados pelo sistema e até por aqueles que exploram quando dão uma esmola!.
São eles que mandam no mundo de hoje... a organização social e seus representantes não passam de marionetas nas mãos destes títeres que, às escondidas, controlam tudo: governos e organizações de estado para serem financiadas, mas, de facto, privadas chamadas Serviços Secretos ou de Informações que os governos não controlam e que até matam presidentes quando eles não lhes convêm.
O que tem um governo legítimo e honesto a esconder dos seus cidadãos?! em que consiste exactamente um segredo de estado?

Em Portugal, os casos BPN, BES são o expoente máximo dessa tendência. Ainda ontem as notícias da TV revelavam que uma empresa falida do Grupo ES aprovava ordenados milionários a administradores quando já estava em falência técnica.
E a solução, senão para a humanidade, pelo menos para atenuar estes problemas financeiros era tão simples. Eles clamam sempre que não querem estado. A sua bandeira é a propriedade privada. Pois bem. Que assim seja. O estado, se fosse estado, diria "muito bem damos ou vendemos tudo menos a nossa capacidade de regulação. Podem pagar o que quiserem aos vossos administradores desde que, para manter a coesão social, o leque salarial não exceda a relação de um para dez!... por exemplo!

Tão simples!... e quem quer fazê-lo?... isso prova quem realmente manda!


Aquilo a que se assiste em Portugal e noutros países periféricos foi o que derrubou o Império Romano. Acabada a expansão territorial a expansão económica termina também. Não há mais por onde fazer crescer os "lucros" (rapina). E a luta pela fatia maior do bolo, que antes era na fronteira contra os bárbaros (agora terroristas!), é trazida para o interior.
No Novo Império assistimos a essa luta. A transferência dos recursos da actividade económica para a financeira, com as falcatruas que vão sendo conhecidas e as cenas teatrais que as acompanham, não é mais do que a luta de titãs de fim de ciclo de todos os tempos.


Lisboa28/11/2014




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