EPIFANIA
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Eu estive quase a dar o salto. Um salto para outra dimensão!.. mas não consegui. Nem sei se ela realmente existe.

Tem momentos que saio fora de mim e vejo esta pobre humanidade como um bando desordenado sem saber para onde vai!...
São momentos privilegiados que aparecem e desaparecem deixando pouco rasto pará fixá-los em tempo útil. (Como eu gostaria de ter, nestes momentos, um gravador de audiovisual mental!)

Mas vejo estes bichinhos às cabeçadas uns com os outros, pelo mundo fora, sem saberem porquê!... e tenho pena deles...
Parece que a humanidade está à beira de dar um salto qualitativo abissal... condição para a sua sobrevivência, e a maioria dos seus exemplares não tem pernas para isso!...

Assisti à maior transformação sofrida por esta civilização no espaço dos meus 70 anos passando duma natureza largamente intocada e auto-suficiente para uma natureza em rotura a montante e a jusante: os recursos são cada vez mais escassos; os dejectos, muitos de alto risco, cada vez mais abundantes.

E esta é a base de todas aquelas querelas entre bichinhos insignificantes que não sabem de onde vêm nem para onde vão!... que entretanto nascem, crescem , morrem... sem dar por isso... porque só brigam!...

Esta civilização (creio que houve outras) acabou, mas não a raça humana que para sobreviver precisa de inventar e pôr em prática outro paradigma. Até aqui o paradigma empírico e instintivo era quantitativo. Inicialmente bastava mudar de lugar quando os recursos escaseavam, depois encontrou continuidade, segundo a lei do menor esforço, no crescimento quantitativo contínuo que passou a negar a lei de menor esforço para muitos...
É um paradigma primitivo, bárbaro que todas as escolas, ditas superiores, ensinam como a saída para a humanidade. Não!.. é a saída para os exemplares menos aptos desta época sobreviverem!... ele está esgotado. O mundo ficou demasiado pequeno para tanta gente com um gene, que nunca mutou, de ganância que julga satisfazer-se na rapina!...

Não sei o que vem por aí!... mas tenho pena de não ver esse mundo novo em que me sentiria mais em casa, embora não possua as adaptaçôes necessárias para sobreviver nele.
Mas esse mundo só será possível se for capaz de mudar o paradigma de quantitativo para qualitativo. Para isso precisa duma ajuda na natureza ameaçada: talvez uma mutação genética que desactive o gene da ganância que causa aquela sensação bárbara de nunca se ter o suficiente...
Mas imagino o que seria viver num mundo sem ganância, onde a partilha dos recursos fosse tão natural como respirar e em que as pessoas fossem finalmente livres para viver a felicidade que merecem, perdida algures numa encruzilhada do caminho errado que esta civilização tem trilhado!...


18/12/2011




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