BANCO BOM X BANCO MAU
BANCO BOM X BANCO MAU







... e a farsa continua!...

NOVO BANCO

Será que há Bancos Bons?!...

Quem conhece a história sabe que nasceram fruto da agiotagem praticada pelos judeus quando aos cristãos ainda era proibida essa actividade pela igreja... até que Tomaz de Aquino a liberalizou aos seus seguidores.
Esta designação de "Banco Bom" acaba de desenterrar um conceito dicotómico antigo que esta "xaxada" dita democrática parecia ter enterrado para sempre ao abolir (confundir) a existência de duas forças antagónicas designadas de Bem e Mal, que nem o próprio cristianismo conseguiu extirpar do imaginário ancestral.

Não sou capitalista, não sou rico, acho esta sociedade uma sociedade errada, não tomo partido numa contenda que não é minha! No entanto, esta sociedade errada assente num roubo ancestral, estabeleceu regras para legitimar esse roubo, com uma lógica própria e agora parece estar a perder as estribeiras!...

Defendo, por princípio, que a natureza não é propriedade de ninguém. Que, pelo contrário, nós somos seus elementos, dela dependemos e não somos seus SENHORES!...

No entanto, da legitimação social desse roubo ancestral, faz parte das regras que quem compra uma propriedade é seu "legítimo" possuidor e que qualquer acto de apropriação contra esse princípio é considerado roubo e punível de acordo com a convenção social. Se por qualquer razão uma propriedade deixa de ser rentável pode ser alienada por um valor inferior à compra e com prejuízo para o actual detentor. Até aqui... lógica pura!... materialmente errada mas formalmente obedecendo às regras. E é esta lógica formal, com mais ou menos atropelos, que tem mantido a coesão social possível: O individuo é proprietário do valor actual dos seus bens até que legitimamente os aliene.
Mas é aqui que está o "busillis" do Banco Bom. Lembram-se daquele copista medieval que não encontrava tradução para o "busillis". Pois bem!... ele não podia encontrar aquilo que não existia!... existia sim um "...bus illis" mas as pessoas só encontram, quando encontram, aquilo que procuram.

O Banco Bom não existe. Quando as pessoas compram uma propriedade compram a integralidade dos seus activos e passivos: terrenos, instalações, equipamentos e uma matéria mais intangível chamada actividade da qual fazem parte desde a imagem à sua carteira de clientes e fornecedores, os créditos e os débitos. Concomitantemente quando alguem compra uma fracção duma propriedade é detentor legítimo de uma fracção de todos esses itens.. e se a propriedade perder o direito de exercer a actividade todos os outros itens continuam propriedade sua para poder alienar e satisfazer os seus compromissos. Portugal um dos países mais atrasados, retrógrado e devasso deste universo errado, acaba de inovar no pior sentido.
O Banco BES faliu e em vez de ser liquidado dentro da lógica do sistema, foi saqueado. Ressuscitando uma velha crença maniqueia que pregava a luta entre o Bem e o Mal. (O papa bem pode ficar rosa de raiva com o reaparecimento, das sombras, deste velho rival, dentro dos seus domínios!) Em vez disso foi criado do zero uma nova entidade apelidada de "Banco Bom" e o Banco antigo fica na categoria de "Banco Mau".

O Banco "Bom" locupletou-se com todo o património do Banco Mau e ainda recebe um dinheirinho um para exercer a sua actividade. Assim!... até eu que não tenho vocação para banqueiro seria capaz de aguentar-me a receber uns bons bónus durante uns anos!... Depois, logo se veria!... ver-se-á!...
Mas pior que tudo é este Banco Bom não ter dono... Os accionistas ficam com o odioso do Banco Mau que proibido de exercer a sua actividade e sem património nem outros recursos fica obrigado a responder pelas obrigações contraídas. Como?!... Se isto não fosse criminoso era, pelo menos anedótico. Que culpa têm os accionistas de boa-fé, que confiaram no sistema dentro da sua lógica de operação, sem poderes para intervir na gestão, para perderem o direito à quota parte do seu investimento num processo de liquidação normal?

Este procedimento viola as regras da lógica do sistema, é um passo em frente na lógica do roubo ancestral que os estados sempre vêm fazendo sobre os mais pobres, generalizado nas ultimas décadas às classes médias e que agora atinge os ricos caídos em desgraça. Os outros, cada vez menos e mais ricos, recebem património roubado, autorização e dinheiro para exercer a actividade.

Não fora a existência de pequenos accionistas inocentes que assim se vêem espoliados das poupanças duma vida!... isso não passaria de uma divertida guerra de titãs para apreciar à distância.
Mas roubar ainda mais desta outra maneira àqueles que sempre foram roubados só numa sociedade execrável e mentalmente doente pode acontecer.

Assim renasce e se reforça a velha crença dualista agora personalizada em figuras bem mais triviais mas igualmente sinistras: Ficamos a saber que há Bancos Bons e Bancos Maus...
... mas não se fica a saber onde ficam os homens maus!...
      ... mas que os há!... háaaaaaaaa!...

04/08/2014




Para saber mais:
Banchieri - Storie del Nuovo Bandistismo Global
Federico Rampini
Tradução Portuguesa Edições Presença, Lisboa 2014


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