Alcântara
Viajar no tempo requer a libertação do espaço aqui-e-agora e do corpo como massa deslocando-se nesse espaço!...
Quem viajou no tempo até S. Luís vai ter que fazer uma regressão ainda maior para ver Alcântara!...
Situada do outro lado da Baía de S. Marcos ( este nome será por acaso?!...), em terra continental, antiga capital do estado, não precisou ser soterrada por nenhum vulcão ou tempestade de areia para parar, há muito, no tempo, intacta como então. à vista das suas ruas, praças, palácios, igrejas e ruínas, entramos em contacto directo com memórias ancestrais há muitas gerações relegadas para fora da consciência!...O aqui-e-agora recua, inexoravelmente, uns séculos e tudo o que nos resta à a visão dos fantasmas de reis, príncipes, cortesãos, concubinas, bobos, cavaleiros... numa confusão de amor e ódio, intrigas, paixões, lealdades e traições vaporizados!... Uns poucos seres actuais parecem perdidos numa grandeza que os esmaga numa cidade tão pequena!... do tamanho duma aldeia!...
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Grandeza!... á o qualificativa adequado para uma pequena povoação situada estrategicamente à entrada da baía no cimo dum morro fazendo dela um ponto de defesa quase inexpugnável, dotada duma luminosidade que dá às suas formas uma qualidade envolvente rara ora recortando-se acima do horizonte em silhuetas quixotescas de uma grandeza perdida... sempre presente!... , ora sobre um fundo bem definido de humildade orgulhosa do seu passado, que pareceria votada a um grande futuro!.... Porque terá sido trocada!... como uma mulher bela... por um amante tolo?!...
Parece ser esse o seu fado!... que mais uma vez acontece!... ainda que o faça roído pela saudade!...
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