O Estreito dos Mosquitos separa S. Luís do continente. A ilha alberga o centro histórico que poucas alterações terá recebido desde a época da colonização. Os quarteirões de dois ou três andares, desenhados geometricamente, com fachadas de azulejos e ornamentos característicos da época fazendo lembrar uma qualquer cidade portuguesa imaginária, desenhada por Eugénio dos Santos, que tivesse sabido resistir ao tempo sem se descaracterizar.
Mas se resistiu ao tempo, neste campo, não resistiu, noutro, às suas inclemências e muitos são os bairros periféricos desta zona história que apresentam um verdadeiro estado de degradação com ruas quase inteiras de prédios, quais relíquias!... em ruínas. Apesar de, ou talvez por isso mesmo, respira-se aqui um certo ar de tranquilidade e segurança no meio da sua população formigante que enche as ruas com uma feira constante em perfeito convívio com o comércio fixo!... a sensação que se tem é da paragem no tempo ou, para quem vem de fora acostumado às transformações dos últimos cinquenta anos, de recuo!... apesar de tudo agradável.
Capital dum estado que foi preponderante na colonização do Norte e Nordeste cuja grandeza manteve quase intacta é, por isso, um livro de história real.
Ali se encontram alguns dos mais belos monumentos civis e religiosos da região numa profusão capaz de satisfazer a curiosidade do amador ou a necessidade do estudioso!... de que destaco a igreja de Nossa Senhora dos Pretinhos de estilo barroco pintada de cores garridas apresentando no seu interior as capelas laterais e o próprio altar-mor com cores vivas, bem ao estilo ligeiro sul americano, bem distante da sobriedade medieval europeia tida como mais propícia à meditação; a Fonte do Ribeirão, no mesmo estilo, pintada em azulão carregado, a fazer lembar a lenda de que nos seus canais, que atravessam toda a cidade, existe uma serpente adormecida que um dia acordará e engolirá toda a cidade; a Cafua das Mercês testemunhando a terrível saga do mercado de escravos; e a Fonte das Pedras onde eram abastecidos os navios que os transportavam bem como as riquezas para a metrópole.
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