Jericoacoara
A noite surpreende-nos antes de atingirmos Jijoca por uma estrada bastante acidentada. Aqui, em plena rua de povoação, um casal de burros acoplados foi a atracção hilariante... antes dos saltos na caixa aberta de uma carrinha 4x4 (pau de arara) no percurso que liga esta a Jericoacoara sem pista definida, no claro escuro da noite de luar entrecortado pelas nuvens passageiras ou pelas manchas de vegetação no recesso das dunas movediças, deslocando-se a velocidade vertiginosa e fazendo brotar exclamações de desconforto agradável!...

Na noite, por detrás das dunas surgem-nos casas plantadas na areia, um pouco ao acaso, desenhando espaços irregulares. Por estas Avenidas e Ruas passeiam-se paulatinamente cabras, burros, vacas... e algumas pessoas.
Não há, e os seus habitantes orgulham-se disso!..., asfalto. E não haverá nunca, asseguram-nos. Gostam da sua terra assim e não a querem descaracterizada. A aprovação eminente da zona como reserva natural vai garanti-lo, pensam.
Apesar da pressão turística, evidente, este lugar é ainda um oásis de segurança e tranquilidade, bem difícil de encontrar à superfície da terra!...
À população acolhedora e simpática não passa despercebida a presença do forasteiro que ao segundo dia já todos conhecem.

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Jericoacoara deriva da língua Tupi Guarani dos nativos que habitavam a região e significa Jacaré corando ao sol resultante da semelhança que tem com um jacaré quando vista do mar.
Cotada entre as dez mais belas praias do mundo, a sua beleza é difícil de descrever em linguagem comum e varia consoante a sensibilidade do visitante. Emocionalmente, pode descrever-se como um local de encanto! Emoldurada, a nordeste, pela enorme duna que parece mover-se quando as sombras das nuvens dispersas se deslocam no seu dorso, é aberta a sudoeste por uma praia pedregosa, onde se levantam mini-tempestades de areia, na qual se situa a poucos quilómetros um dos seus símbolos: a pedra furada só acessível em maré baixa. Era neste local que as tartarugas marinhas vinham desovar quando esta ainda era uma zona deserta!... empurradas agora para zonas ainda remotas dos Lençóis Maranhenses. Até quando!... Entre estes dois extremos a orla de vegetação onde mergulham casinhas num mar de areia!... e emoldurando tudo isto, a leste, a presença sempre constante do mar!

Frente à Pedra Furada fica o Serrote, formação rochosa característica, paisagem protegida, cuja designação lhe vem da sua silhueta vista de longe e, para sul deste, numa zona de rara beleza selvagem em trilhos de areia à beira mar ao longo da Praia do Preá atinge-se Barrinha, aldeia piscatória de um primitivismo quase absoluto, local de acesso à Lagoa Azul.
Esta Lagoa, que são duas durante a maior parte do ano, situa-se em domínio privado e o proprietário já tentou fechar-lhe o acesso mas o IBAMA reabriu. No tempo das chuvas quando as águas sobem, as duas secções reúnem-se, após largos meses de separação na época seca, pois só uma delas dispõe de nascente que não é suficiente para manter o nível das águas durante a seca.. As suas águas salobras, devido à sua origem marítima remota, de um azul metálico oferecem um espectáculo maravilhoso de cambiantes surpreendentes à passagem da brisa que altera caprichosamente os reflexos solares.






























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