Fortaleza

"… raptaram seis gajos em Fortaleza há dias e ninguém mais soube deles..." dizia-me a voz do outro lado do telefone.

Tínhamos viagem marcada para aquele destino havia algum tempo e o meu interlocutor mostrava apreensão. "...é pá!... ninguém rapta assim seis pessoas de cima dum passeio sem ninguém dar por isso!... não é coisa assim tão fácil!..." respondi, repentista como é meu apanágio mesmo em situações inesperadas.
"... alguma coisa fizeram ou facilitaram para que isso acontecesse...", acrescentei.
"... bom... parece que iam encontrar-se com um português..."
" ...e que é que esse português diz!?..."
interrompi.
"...parece que também não sabem dele..."
"... então procurem-no que ele há-de ter alguma coisa p'ra contar!..."
acrescentei para acalmar as apreensões do outro lado.

O resto da história, para além da necrofilia necrófaga sado-masoquista de que as televisões se apoderaram com práticas formalmente muito parecidas às que vituperavam, para se apoderarem da notícia, ficou sempre por contar!...

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E Fortaleza lá estava mais bela que dantes!... com a sua força, a sua vida e alegria de viver!...

Conquistada aos holandeses que fundaram a fortaleza de que ainda conserva o nome, não esconde as influências da colonização portuguesa bem patente no centro histórico com espaços verdadeiramente herdados da metrópole como o Passeio Público, hoje uma curiosidade comparada com a Av. Beira Mar, verdadeiro Passeio Público, realidade desaparecida entre nós. Esta, verdadeira Sala de Visitas, com as suas torres gigantescas e uma zona ribeirinha bem cuidada é bem brasileira sem dever influências a ninguém. Ali, nos seus vários quilómetros de comprimento, deambulam transeuntes, como numa grande pista pública, a diversos ritmos mas na sua maioria em passo e trajo de manutenção, entre o meio da tarde e o cair da noite.

Nos arredores a atracção é a tristemente célebre Praia do Futuro mas locais como a foz do rio Cócó e algumas aldeias vizinhas de vegetação luxuriante são locais de rara beleza. Nestes se situa a casa do escritor José de Alencar com um parque de frondosas mangueiras, cajueiros, coqueiros... ruínas de um engenho com uma atmosfera de verdadeira inspiração.

A cintura urbana é deprimente, como em todas as cidades do Brasil, constituída de bairros degradados, muita miséria, crime e insegurança.























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